quinta-feira, 29 de junho de 2017

Papa: Pedro e Paulo sigilaram com o próprio sangue o testemunho de Cristo


Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, nesta quinta-feira (29/06), com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro, Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, que no Brasil será celebrada no próximo domingo.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice ressaltou que “os Padres da Igreja amavam comparar os Santos Apóstolos Pedro e Paulo a duas colunas, sobre as quais se apoia a construção visível da Igreja. Eles sigilaram com o próprio sangue o testemunho de Cristo com a pregação e o serviço à comunidade cristã nascente. Este testemunho é evidenciado nas leituras bíblicas da liturgia de hoje, que indicam o motivo pelo qual a sua fé, confessada e anunciada, foi coroada com a prova suprema do martírio.”

Missão

O Livro dos Atos dos Apóstolos conta o evento da prisão e libertação de Pedro. "Ele experimentou a aversão ao Evangelho em Jerusalém onde foi preso por Herodes que tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, mas foi salvo de forma milagrosa e pode levar a termo a sua missão evangelizadora, primeiramente na Terra Santa e depois em Roma, dedicando todas as suas forças a serviço da comunidade cristã."

Paulo também experimentou hostilidades e foi libertado pelo Senhor. Enviado por Jesus a várias cidades junto às populações pagãs, “ele encontrou resistências fortes da parte de seus correligionários e também da parte das autoridades civis. Escrevendo ao discípulo Timóteo, reflete sobre a própria vida, o percurso missionário e também sobre as perseguições sofridas por causa do Evangelho”.

Provação

“Estas duas libertações, de Pedro e de Paulo, revelam o caminho comum dos dois Apóstolos que foram enviados por Jesus a anunciar o Evangelho em ambientes difíceis e em certos casos hostis. Ambos, com seus vidas pessoais e eclesiais, nos mostram e nos dizem, hoje, que o Senhor está sempre ao nosso lado, caminha conosco, nunca nos abandona. Especialmente no momento da provação, Deus nos estende a mão, nos ajuda e nos liberta das ameaças dos inimigos. Devemos nos lembrar que o nosso inimigo verdadeiro é o pecado, e o maligno nos empurra para isso.” 

Segundo o Papa, “quando nos reconciliamos com Deus, especialmente no Sacramento da Penitência, recebemos a graça do perdão, somos libertados dos vínculos do mal e aliviados do peso de nossos erros. Assim, podemos continuar o nosso percurso de anunciadores alegres e testemunhas do Evangelho, mostrando que nós recebemos por primeiro a misericórdia”.

“A nossa oração hoje à Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, é sobretudo pela Igreja que vive em Roma e por esta cidade que tem como padroeiros os Santos Pedro e Paulo. Que eles  obtenham para essa cidade o bem-estar espiritual e material. A bondade e a graça de Deus sustente todo o povo romano para que viva em fraternidade e concórdia, fazendo resplandecer a fé cristã, testemunhada com coragem pelos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.” 

Pálios

Após a oração mariana do Angelus, o Papa Francisco recordou a missa celebrada na Basílica Vaticana:

“Esta manhã, aqui na praça, celebrei a Eucaristia com os cinco cardeais criados no Consistório de ontem, e abençoei os Pálios dos Arcebispos Metropolitanos nomeados neste último ano, provenientes de vários países. Saúdo e agradeço a todos eles e também aqueles que os acompanharam nesta peregrinação. Eu os encorajei a prosseguir com alegria a sua missão a serviço do Evangelho, em comunhão com toda a Igreja. Nesta mesma celebração, acolhi com afeto os membros da delegação que veio a Roma, em nome do Patriarca Ecumênico, o querido irmão Bartolomeu. Essa presença é sinal dos laços fraternos existentes entre as nossas Igrejas.”

A seguir, o Papa saudou as famílias, grupos paroquiais, associações e os fiéis provenientes da Itália e várias partes do mundo, sobretudo da Alemanha, Inglaterra, Bolívia, Indonésia e Catar. Saudou também os estudantes das escolas católicas de Salbris, na França, de Osijek, Croácia, e Londres. 

Saudou também os fiéis de Roma na festa dos santos padroeiros da cidade. Para essa ocasião, foi promovida a tradicional festa dos tapetes florais, realizados por vários artistas e voluntários. O Papa agradeceu esta iniciativa e recordou a queima de fogos que se realizará, esta noite, na Piazza del Popolo.

Fonte: http://br.radiovaticana.va

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Capítulo das Esteiras da Família Franciscana do Brasil



Paz e bem!

Está chegando o Capítulo das Esteiras da Família Franciscana do Brasil.

Será em Aparecida do Norte, nos dias 3 a 6 de agosto.

Na casa de nossa querida mãe Aparecida que comemora 300 anos.

Com o tema: "Levar ao mundo a misericórdia de Deus  

Lema: "É preciso voltar a Assis..." 

Será um momento único onde celebraremos os 800 anos do Perdão de Assis e 50 anos da união da Família Franciscana  do Brasil. Estaremos em harmonia e sintonia com o profundo de nosso carisma a FRATERNIDADE.

Sintam todos/as convidados/as. Vamos participar!

 Ficará para a história e em nossa memória.

Interessados acessem o site http://www.capitulodasesteiras2017.com.br/ e se INSCREVA ATÉ DIA 30 DE JUNHO.

Capítulo das Esteiras 2017 – Celebração dos 800 anos do perdão de Assis e 50 anos da CFFB – Aparecida – São Paulo – 03 a 06 de agosto de 2017

A Inscrição é R$ 150,00 e não inclui hospedagem e alimentação.

Depósito na conta da Conferência da família franciscana do Brasil

Banco do Brasil

AG 1003-0

Conta corrente 202.143-9


domingo, 25 de junho de 2017

Falece o missionário Frei José Zanchet

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Nosso confrade Frei José Zanchet faleceu na manhã de hoje (25/06), no Convento São Francisco, em São Paulo, às 7h55, enquanto tomava banho, ajudado pelo enfermeiro João.

Ele vinha se tratando de um câncer no cérebro desde setembro de 2015. Sempre disposto e bem humorado, Frei José, embora em tratamento, ajudava muito no atendimento do Convento, sobretudo nas confissões. Há poucos dias, tinha terminado 10 sessões de radioterapia.

Frei José será velado no Convento São Francisco, onde amanhã, às 9h00, será celebrada a Missa de Exéquias. Em seguida, seu corpo será sepultado no mausoléu dos frades no Cemitério do Santíssimo Sacramento.

Dados pessoais, formação e atividades – 

Nascimento: 27.10.1935 (81 anos de idade) . – Natural de Três Arroios, RS. – 
Vestição: 21.12.1955 – Rodeio - 
Primeira Profissão: 22.12.1956 (60 anos de Vida Franciscana) – 
Profissão Solene: 22.12.1959 – 
Ordenação Presbiteral: 15.12.1961 (55 anos de Sacerdócio) – 
1957 – 1958 – Curitiba – estudos de Filosofia; - 
1959 – 1962 – Petrópolis – estudos de Teologia; - 
1963 – Rio de Janeiro – curso de Pastoral; – 
06.12.1963 – Rio de Janeiro – Nossa Senhora da Paz – procurador vocacional - 
10.05.1967 – Chile / Carahue – missionário – 
14.03.1970 – São Lourenço – 
11.02.1972 – Chile / Carahue – missionário, vigário paroquial – 
03.03.1975 – São Paulo – Vila Clementino – vigário paroquial – 
26.12.1975 – Chile / Carahue – vigário paroquial – 
04.12.1979 – Luzerna – vigário paroquial em Joaçaba – 
12.12.1981 – Chopinzinho – vigário paroquial em Mangueirinha – 
25.11.1983 – Rio Brilhante, MS – vigário paroquial – 
21.01.1986 – Dourados, MS – vigário da casa e vigário paroquial – 
24.09.1990 – Angola – missionário – 
05.12.1995 – vigário paroquial e vigário da casa – 
29.11.1997 – Barra, BA – a serviço da Diocese, em Ipupiara, BA – 
10.11.1999 – Ituporanga – vigário paroquial – 
16.05.2001 – Chopinzinho – vigário paroquial – 
07.11.2003 – Balneário Camboriú – vigário da casa e vigário paroquial – 
20.12.2006 – Bauru – vigário paroquial – 
19.12.2007 – Blumenau – vigário paroquial – 
29.01.2009 – Duque de Caxias – Imbariê – vigário paroquial – 
17.12.2009 – Chopinzinho – vigário paroquial – 
12.12.2012 – Curitibanos – vigário paroquial – 
12.12.2013 – Viana – Angola – vigário paroquial – 
set/2015 – São Paulo – São Francisco – tratamento de saúde

Frei José, o missionário franciscano

Aos 81 anos (nascimento em 27 de outubro de 1935), Frei José Zanchet é a história viva da Missão Franciscana em Angola. Componente do primeiro grupo enviado pela Província da Imaculada ao país africano, viveu em Malange e Kibala, em sua primeira passagem pela missão, que durou cinco anos (entre 1990 e 1995) e depois, em sua segunda experiência na missão (desde dezembro de 2013 até 2015), quando foi transferido da Fraternidade São Francisco Solano, de Curitibanos, SC.
Com quase 60 anos de vida religiosa, Frei José tem como marcas a disposição missionária (esteve no Chile, no Sertão da Bahia, no Mato Grosso e em Angola) e aptidão para atividades práticas, ligadas à eletricidade, pequenos reparos, etc.).

Gaúcho de Três Arroios, RS, animou-se em partir para terras angolanas depois que participou de um encontro realizado para os interessados em conhecer um pouco mais da proposta de presença da Província em Angola, realizado entre 22 e 24 de junho de 1990, no Convento São Francisco, em São Paulo. Na época Frei José trabalhava em uma paróquia de Dourados, MS, e relata que a partir daquele encontro em São Paulo se sentiu chamado a seguir para a África: “Eu cheguei na Paróquia em Dourados e logo me sentei para escrever uma carta ao Provincialado, dizendo que estava pronto para partir. Uns quinze dias depois, Frei Estêvão Ottenbreit (Ministro Provincial da época) me telefonou perguntando se eu estava disposto mesmo, e eu respondei: ‘Claro, mande-me’”, conta Frei José, mostrando que desde o início estava inteiramente à disposição para integrar este projeto missionário.

Diante da resposta positiva de Frei José, foram realizados os encaminhamentos necessários. A celebração de envio ocorreu no dia 16 de setembro de 1990, no Seminário Santo Antônio, em Agudos, e o embarque dos missionários, entre eles Frei José, foi no dia 24 de setembro do mesmo ano, sendo que no dia seguinte já estavam em Luanda e, depois, Malange, lugar onde ficariam instalados.

Angola estava em guerra civil e Frei José conta que as dificuldades deste conflito já puderam ser sentidas na chegada. “Quando desembarcamos em Malange, a primeira coisa que vimos do avião foram sete ou oito soldados com as metralhadoras apontadas. Descemos e tivemos que fazer novamente todos os papéis – mesmo já tendo passado por todos os trâmites em Luanda – como se estivéssemos chegando a um país estrangeiro. Como não havia nenhuma mesa para nos apoiarmos, pedi ao Frei Plínio Gande, outro missionário do primeiro grupo, para me ‘emprestar’ as costas e, assim, preenchemos os papéis um nas costas do outro”, recorda.

Por conta das dificuldades de comunicação, a comunidade da Missão em Malange também não tinha informações precisas sobre a hora de chegada dos missionários, mas mesmo assim dentro das possibilidades, fomos muito bem recebidos.”

“A recepção foi muito carinhosa. Mais ou menos uma hora e meia de cantos e homenagens, até que seguimos para casa, já pelas 16h do dia 25 de setembro, para almoçar e descansar um pouco da viagem.

O primeiro trabalho dos frades em Malange foi a visita às comunidades da missão, que eram cerca de 135, muitas delas de acesso muito difícil. Frei José Zanchet destaca e menciona a importância da figura dos catequistas para a sobrevivência em Angola. De acordo com o frade, nas aldeias, que recebiam a visita esporádica de missionários, eram estes homens que mantinham acesa entre o povo a chama da fé. Os catequistas organizavam os trabalhos pastorais e também conduziam as celebrações de domingo. Com frequência se entusiasmavam e as celebrações ficavam longas, fato do qual Frei José se recorda com certo humor.

Frei José e os outros dois missionários permaneceram em Malange até o fim de agosto de 1992, quando foram transferidos para a cidade de Kibala, na Província do Kwanza Sul, a convite do então bispo da Diocese de Sumbe, Dom Zacarias. Eles ocuparam as instalações dos Padres Espiritanos, que haviam deixado a área por conta da guerra.

O início da Missão em Kibala foi no dia 31 de agosto de 1992. Os trabalhos principais eram a assistência às Irmãs Clarissas, que na época moravam naquela cidade, e o acompanhamento das aldeias. As dificuldades eram muitas, principalmente por conta da guerra. Num momento de grande tensão, Frei José relata que os frades chegaram a ver a morte de perto: “O mais triste foi quando invadiram nossa casa e nos levaram presos para o Centro de Kibala. Praticamente íamos ser fuzilados. Entraram em nossa casa, perguntaram quem eu era e logo me deram um bofetão no rosto que quebrou meus óculos. Fui me defender com o cotovelo e levei outro tapa”, conta Frei José, segundo o qual, naquele dia, os frades só não foram mortos porque um dos chefes da Unita os reconheceu.

Esta ofensiva contra os frades ocorreu por dois motivos: o primeiro porque naquela ocasião Kibala estava sob o domínio da Unita e alguns helicópteros do governo pousaram no terreno da missão, o que levou os dominadores da cidade a imaginarem que os frades estivessem dando apoio às tropas rivais. E a outra motivação foi o fato de os frades abrigarem alguns meninos e jovens, pois, a partir dos 11 anos, eles eram pegos à força para trabalhar pelos combatentes.

Conseguir comida também era uma verdadeira aventura. O pouco que obtínhamos de alimentos era através de Frei Plínio Gande da Silva que, a partir da troca de peças de roupa, cartelas de remédio ou outros artigos que levava até a praça (espécie de mercado informal a céu aberto), conseguia algo para se comer.

Outra grande dificuldade era para se comunicar. Os frades em Kibala ficaram mais de um ano sem nenhuma comunicação com os demais confrades. A única maneira que tinham para se informar era um pequeno radinho improvisado que funcionava movido a energia gerada por uma roda de bicicleta. “Nós improvisamos um gerador com uma bicicleta que colocamos de cabeça para baixo. Enchemos o pneu com pedaços de pano velho e ali girávamos para ter energia para o radinho e assim conseguíamos ficar minimamente informados.

Frei José retornou de Kibala para o Brasil em 1995. Em 1998, depois de Frei Valdir Nunes Ribeiro sofrer um atentado, os frades se retiraram de lá, retornando àquela localidade em 2008, bem depois do fim da guerra. Perguntado sobre o que o levou a querer retornar à missão às vésperas de completar 80 anos, Frei José apontou dois motivos: o carinho que ele adquiriu pela missão na primeira vez em que lá esteve e também a curiosidade sobre como estaria o país depois do fim da guerra. Frei José dizia que se sentia feliz nesta nova etapa na missão, mas retornou devido ao câncer diagnosticado na cabeça, que o levou a uma cirurgia delicada.

DEPOIMENTO DE FREI GABRIEL DELLANDREA

Diz o filósofo Michel de Montaigne: “Se fosse um escritor, anotaria as mortes que mais me impressionaram e as comentaria, pois quem ensinasse os homens a morrer os ensinaria a viver” (Ensaio número XX). E eu percebo que esta ideia é um tanto ousada e verdadeira, quando a realidade da morte se apresenta para nós muito próxima, pela passagem de pessoas que amamos. Por isso, quero prestar minha homenagem ao confrade que hoje faleceu, colocando um pouquinho de como foi a minha convivência com ele. Creio que a vida dele me ensina a morrer, pois seu exemplo ensina a viver.

Existem pessoas que não precisam de muito tempo para conquistar o nosso coração. Um olhar, uma palavra, um gesto e a gente percebe que daquele ser humano emana algo de grandioso e maravilhoso. Um convívio pequeno com Frei José Zanchet, mesmo entre as atividades e os trabalhos com a juventude me faziam experimentar o que é ser jovem, mesmo com os cabelos brancos. Eu encontrava a juventude nas nossas fraternidades e paróquias, e em casa encontrava um jovem com “setenta e tantos anos”. Um homem teimoso pelo seu desejo de servir. Um homem enfraquecido pela doença mas forte no testemunho de vida franciscana.

Mesmo muito debilitado, insistia em trabalhar, confessar, acolher. As pernas para o alto no confessionário não eram um grande problema para ele. Um pedido de desculpas por estar assim por causa da doença e continuava a sua missão. Uma troca de olhares ali, um sorriso aqui. Às vezes eu puxava aquele canto “José feliz esposo…” para provocar o seu nome e ele continuava com voz imponente e forte, não se importando com as minhas bobagens. Eu pensava nos lugares que aquela voz ecoou no anúncio do evangelho e da vida franciscana nas suas intensas atividades como missionário. Eu sou o mais novo na fraternidade do Largo São Francisco, mas ele, sem dúvida, era um banho de juventude em mim.

O calor de sua simpatia, simplicidade e teimosia em servir me queima para ser frade menor. Frei José, com sua vida e com seu testemunho, e hoje, com sua passagem, está me ensinando mais uma vez a viver. Não foi preciso muito tempo de convivência para eu me encantar por esse cara. Mas tenho certeza que seu bom exemplo será um brilho em toda a minha vida. A sua caminhada franciscana comigo nesse tempinho desde o começo do ano, por si só, foi uma excelente animação vocacional. O testemunho de vida de uns, somado com a certeza da morte, faz outros viverem mais intensamente! 

Que Deus conforte os familiares dele e a nossa fraternidade.

R.I.P.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

sábado, 24 de junho de 2017

Natividade de São João Batista

Natividade de São João Batista

João, chamado de o “batizador”, é filho de Zacarias e de Isabel, ambos de estirpe sacerdotal. A Bíblia nos diz que Isabel era prima e muito amiga de Maria, e elas tinham o costume de visitarem-se. Uma dessas ocasiões foi quando já estava grávida: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo” (Lc 1,41). Ainda no ventre da mãe, João faz uma reverência e reconhece a presença do Cristo Jesus. Na despedida, as primas combinam que o nascimento de João seria sinalizado com uma fogueira, para que Maria pudesse ir ajudar a prima depois do parto.

Assim os evangelistas apresentam com todo rigor a figura de João como precursor do Messias, cujo dia do nascimento é também chamado de “Aurora da Salvação”. É o único santo, além de Nossa Senhora, em que se festeja o nascimento, porque a Igreja vê nele a preanunciação do Natal de Cristo.

Isabel era estéril e Zacarias era mudo, ambos já com idade bem avançada. Isabel haveria de dar à luz um menino, o qual deveria receber o nome de João, que significa “Deus é propício”. Assim foi avisado Zacarias pelo anjo Gabriel.

Conforme a indicação de Lucas, Isabel estava no sexto mês de gestação de João, que foi fixado pela Igreja três meses após a Anunciação de Maria e seis meses antes do Natal de Jesus. O sobrinho da Virgem Maria foi o último profeta e o primeiro apóstolo. “É mais que profeta, disse ainda Jesus. É dele que está escrito: eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti”. Ou seja, o primo João inicia sua missão alguns anos antes de Jesus iniciar a sua própria missão terrestre.

Lucas também fala a respeito da infância de João: o menino foi crescendo e fortificando-se em espírito e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel.
Com palavras firmes, pregava a conversão e a necessidade do batismo de penitência. Anunciava a vinda do messias prometido e esperado, enquanto de si mesmo deu este testemunho: “Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitarei o caminho do Senhor…” Aos que o confundiam com Jesus, afirmava com humildade: “Eu não sou o Cristo”. e “Não sou digno de desatar a correia de sua sandália”. Sua originalidade era o convite a receber a ablução com água no rio Jordão, prática chamada batismo. Por isso o seu apelido de Batista.

João Batista teve a grande missão de batizar o próprio Cristo. Ele apresentou oficialmente Cristo ao povo como Messias com estas palavras: “Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo… Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo”.

Jesus, falando de João Batista, tece-lhe o maior elogio registrado na Bíblia: “Jamais surgiu entre os nascidos de mulher alguém maior do que João Batista. Contudo o menor no Reino de Deus é maior do que ele”.

Ele morreu degolado no governo do rei Herodes Antipas, por defender a moralidade e os bons costumes. O seu martírio é celebrado em 29 de agosto, com outra veneração litúrgica.

São João Batista é um dos santos mais populares em todo o mundo cristão. A sua festa é muito alegre e até folclórica. Com muita música e danças, o ponto central é a fogueira, lembrando aquela primeira feita por seus pais para comunicar o seu nascimento: anel de ligação entre a antiga e a nova aliança.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

quarta-feira, 21 de junho de 2017

AS BEM-AVENTURANÇAS ( de São Francisco)

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Bem-aventurados os que promovem a paz,
 porque serão chamados filhos de Deus.
 São verdadeiramente promotores da paz os que
em todas as coisas que suportam neste mundo,
 pelo amor do Senhor nosso Jesus Cristo,
 conservam a paz na alma e no corpo.

Bem-aventurados os puros de coração,
 porque verão a Deus.
 Puros de coração são aqueles que
 desprezam as coisas terrenas
 e procuram as celestes
 e não cessam de adorar
 e de ver o Senhor Deus
 vivo e verdadeiro
 com coração e ânimo puro.

Bem-aventurados aquele servo
 que não se orgulha do bem
 que o Senhor diz e opera por meio dele,
 mais do que aquilo que diz e opera
 por meio de outros.
 Peca o ser humano que quer receber
 de seu próximo mais do que aquilo
 que quer dar de si ao Senhor Deus.

Bem-aventurado o ser humano que
 sustenta seu próximo em suas fraquezas
 como queria ser sustentado ele próprio,
 se estivesse em semelhante situação.

São Francisco de Assis.
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terça-feira, 20 de junho de 2017

Mês de junho_ atividades intensas da fraternidade

Irmãs e irmãos, paz e bem!
 
Estamos no meio do ano, porém só neste mês de junho
tivemos muitas atividades que vale a pena divulgar.
 
Na noite do dia 3 de junho a Jufra das Chagas junto com a catequese da paróquia São Francisco organizou a vigília de Pentecostes. Momento de adoração profunda. No domingo dia 4 celebramos a missa em sufrágio da alma do nosso irmão José Eugênio Rossi.
 
Nossa participação na Festa de Santo Antônio foi de maneira simples, com muito trabalho e dedicação dos irmãos da OFS e Jufra que confeccionaram e venderam alguns poucos bolos, doces e artesanatos.
Contamos também neste dia com a apresentação do coral da GCM na Igreja das Chagas às 13 horas. Foi muito bom. 
 
No dia 15  - festa de Corpus Christi, participamos junto com as pastorais da paróquia na confecção do tapete. Finalizando a celebração com a bênção do Santíssimo na nossa igreja. Uma bela e emocionante festa.
 
No sábado dia 17 aconteceu o Mini Encontro Distrital na fraternidade Santa Inês no bairro do Sumaré. Frei Zeca,TOR conduziu o tema sobre Maria Santíssima e São Francisco.
 
No encontro fraterno deste dia 18, aconteceu a formação com o tema do 1º artigo da regra - Recíproca Comunhão Fraterna, conduzida pela irmã Cidinha Crepaldi. Dando continuidade ao estudo da regra na formação permanente.
 
 
Que Deus esteja conosco!

















quinta-feira, 15 de junho de 2017

Pão Vivo - Solenidade de Corpus Christi

15

Jo 6, 51-58

“Eu sou o Pão Vivo descido do céu”

Celebramos hoje a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, a festa da Eucaristia. No Evangelho, Jesus se apresenta como o Pão Vivo e aquele que comer deste pão terá a vida eterna.

A Eucaristia é o Corpo de Cristo que se entrega a todos nós na “modesta aparência do pão”. Cristo se faz presente no Pão e no Vinho não como prêmio para os bons e para os perfeitos, mas como remédio para os doentes e sustento para os fracos, isto é, Cristo se doa inteiramente a todos que comungam das Sagradas Espécies e se torna alimento que nos renova e fortalece.

Que esta solenidade nos ajude a viver e celebrar com intensidade o sacramento eucarístico e que possamos nos aproximar da comunhão como filhos que se aproximam de um Deus misericordioso que se entrega a nós na simplicidade do pão.

Reflexão feita pelos noviços

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Especial Santo Antônio: Orações


1. A ti Senhor, o louvor

Senhor JesusCristo,
infunde em nós a tua graça
com a qual e da qual recebemos
a plenitude da verdadeira vida.
Roga por nós ao Pai
para que tenhamos uma fé viva
e mereçamos alcançar
um lugar na vida eterna.
Com a tua ajuda,
Tu que és o princípio e o fim,
digno de louvor, admirável e inefável,
pelos séculos dos séculos. Amém.

2. Súplica a Jesus Cristo 

Jesus, Senhor misericordioso:
vem e fica conosco;
perdoa os nossos pecados; dá-nos a paz;
afasta dos corações toda dúvida e temor;
revigora em nós a fé na tua Paixão
e na tua Ressurreição,
para que, por tua graça,
mereçamos a vida eterna. Amém.
Ó Jesus, filho de Davi, tem piedade de nós!
Ó fonte de compaixão e de perdão,
que brotaste da bendita Virgem Maria,
lava a imundície de nossos pecados,
e não nos prives da herança celeste.
Amém.

3. Prende-nos a Ti, Senhor! 

Nós te suplicamos, Senhor Jesus,
que nos prendas a ti e ao próximo
com o laço do amor.
Que possamos amar-te
fortemente, com toda a alma,
para não sermos enganados;
docemente, com todas as forças,
para não sermos seduzidos por outros amores
e desviados do teu amor.
Que amemos nossos irmãos
como a nós mesmos,
com a tua ajuda, ó Senhor,
que és bendito pêlos séculos. Amém!

4. Dá-nos participar das núpcias 

Concede-nos, Senhor Jesus Cristo,
participar, com fé e humildade,
das núpcias da tua encarnação,
e celebrar as núpcias da penitência;
a fim de poder tomar parte
nas núpcias da glória celeste.
Concede-nos esta graça,
tu que és bendito pêlos séculos. Amém.

5. Pai, torna-nos árvore boa

Nós te pedimos, Abbá, ó Pai,
que nos transformes em árvore boa,
para produzirmos dignos frutos de penitência;
e assim, radicados no chão da humildade
e livres do fogo eterno,
possamos alcançar o fruto da vida eterna.
Com o teu auxílio, ó Pai, que és bendito
nos séculos dos séculos. Amém!

6. Esperança de acolhida 

Rogamos-te, Senhor Jesus,
que nos faças subir deste vale de miséria
ao monte de uma vida santa,
a fim de que, por tua paixão e misericórdia
mereçamos ouvir, no dia do juízo,
tua voz de alegria e exultaçào:
Vinde, benditos de meu Pai,
recebei o reino que vos está preparado
desde o princípio do mundo

ORAÇÃO A SANTO ANTÓNIO 

1. Invocação 
Lembrai-vos, glorioso Santo António,
amigo do Menino Deus e servo fiel de Maria
Santíssima, que nunca se ouviu dizer que
alguém que a vós tivesse recorrido ou
implorado vossa proteção, ficasse
desatendido.
É isto que me enche de confiança e me
anima a recorrer à vossa proteção. Com
humildade me dirijo a Vós para expor
minhas necessidades. Atendei a minha
oração, vós que tanto podeis junto ao
Coração do Cristo, e obtende-me a graça que
confíadamente vos peço . . .

2. Para pedir emprego
Santo António, em vossa vida
procurastes trabalhar sempre pela glória de
Deus e pelo bem dos irmãos e irmãs. Olhai
com bondade para minha necessidade.
Preciso de trabalho, de emprego, para
cumprir o mandamento do Senhor e para o
meu próprio sustento e de meus familiares.
Vós, que tanto servistes ao Senhor,
fazei com que eu encontre um trabalho
digno, remunerado, honrado, para que possa
sentir a alegria de estar servindo a Deus e
estar cumprindo meu compromisso para com
aqueles e aquelas que me foram confiados.
Ajudai-me, pois, neste momento
importante, vós que conhecestes o valor do
trabalho, o sacrifício da fome, a alegria de
um lar de paz. Assim seja.

3. Para que nunca falte o pão 
Santo António, amigo dos pobres, que
inspirais vossos devotos a vos honrar
oferecendo pão aos necessitados, eu vos
peço a graça de que nunca falte o pão à nossa
mesa, ganho com trabalho digno e justo.
Eu vos prometo, de minha parte, olhar
sempre com carinho pêlos mais
necessitados, oferecendo um pouco do pão
que tenho à minha mesa. Sobretudo,
ajudai-nos a buscar sempre o Pão vivo que
desceu do céu, que é o próprio Jesus Cristo
na Eucaristia, verdadeiro alimento para a
vida eterna. Vós, que tantas vezes o tivestes
em vossas mãos e aos outros o distribuístes
com piedade, fazei que também nós nos
aproximemos com amor deste Pão da vida.
Amém.

4. Pela Família 
Santo António, vós que em vida
sempre guardastes e defendestes a família,
ajudando-a a crescer para melhor
cumprimento de sua missão educadora, olhai
pela Família de hoje, exposta a tantos
problemas materiais, morais e espirituais.
Olhai carinhosamente pela minha Família,
para que nos compreendamos bem, nos
amemos com sinceridade, e cultivemos a
presença de Deus e sua lei de amor. Que
nossos filhos possam tornar-se pessoas
dignas e construtoras da sociedade de hoje,
carente de líderes cristãos, que saibam
conduzir a vida temporal à luz dos princípios
evangélicos.
Santo António, uma bênção para todas
as famílias e uma especial para a minha
também. Amém.

5. Oração dos Namorados 
Santo António, que sois invocado
como protetor dos namorados, olhai para nós
nesta fase importante de nossas vidas. Que
este tempo seja bonito, sem fütilidades e
sonhos sem consistência, mas que o
aproveitemos para maior e melhor
conhecimento nosso.
Assim, juntos, preparemos
providencialmente o nosso futuro, onde nos
aguarde uma família que, com a vossa
proteção, queremos cheia de amor, de
felicidade e de bênçãos de Deus.
Santo António, abençoai este nosso
namoro, para que transcorra no amor, no
respeito, na sinceridade, na compreensão
mútua e na aprovação de Deus. Amém.

(Adaptadas à composição de Fr. Hugo Baggio, OFM)

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

Especial Santo Antônio: Entre milagres e lendas


A vida de Santo Antônio está envolta numa constelação de milagres e fatos prodigiosos: são curas, profecias, bilocações, exorcismos e até ressurreições. Muitos teriam acontecido durante sua vida e outros, numa cadeia incontável, depois da morte. Esta tradição já está consagrada no antiquíssimo responsório “Si quaeris miracula”:

Se milagres desejais
Contra os males e o demónio,
Recorrei a Santo António
E não falhareis jamais.

Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro e a morte,
Quem é fraco fica forte,
Mesmo o enfermo fíca são.

Rompem-se as mais vis prisões,
Recupera-se o perdido,
Cede o mar embravecido
No maior dos furacões.

Penas mil e humanos ais
Se moderam, se retiram:
Isto digam os que viram,
Os paduanos e outros mais.

Grande número desses milagres foram imortalizados por artistas, famosos ou populares, entre os quais, a pregação aos peixes em Rimini; o coração do avarento encontrado no cofre; a mula em adoração diante do Santíssimo; o recém-nascido que fala em favor da mãe inocente; o pé decepado que o santo une à perna, etc.

E difícil dizer com certeza por onde passa a linha divisória entre a verdade histórica e a fantasia religiosa; tanto mais que boa parte desses milagres só vêm relatados em legendas tardias, certamente eivadas de elementos lendários. Mas nem tudo é tardio.

Poucos meses depois da morte de Antônio, um documento, assinado pelo Bispo diocesano e os professores da Universidade de Pádua, é apresentado ao papa Gregório IX pedindo sua canonização.

No extenso relatório são elencados os inacreditáveis milagres que vinham ocorrendo desde a morte de Antônio, ocorrida meses antes: são inúmeras curas, entre elas, cinco paralíticos, sete cegos, três surdos, três mudos, dois epilépticos, etc. “São poucos entre os muitos, e os mais seguros entre os conhecidos”, destaca a legenda Assídua, acrescentando que, no dia dos funerais do Santo, muitos enfermos deixados fora da Igreja, na praça, foram curados aos olhos de todos.

A fama de tantos milagres constitui um dos incentivos mais fortes ao culto de Santo Antônio. Um antigo sermonista tentou interpretar esses prodígios no prisma da simbolização. Cada milagre teria um conteúdo simbólico.

Assim, no caso da criança afogada que o santo recupera, se afirma o poder de sua intercessão para devolver a vida do espírito a quem a perdeu; no caso da barca naufragada que ele socorre, se afirma o poder que tem para fazer emergir do pecado os que nele naufragaram. E assim por diante.

Aliás, a própria lenda tem seu jeito de dizer a verdade, simbolicamente, um pouco à maneira do provérbio que diz: “Onde tem fumaça tem fogo”. Mas não se deve exagerar o sentido milagreiro da devoção antoniana.

O povo que vai ao Santo não vai, sem mais, em busca de milagres. Sobretudo não vai para pedir milagres impossíveis ou coisas absurdas. O que pede são geralmente as coisas normais da vida: o alimento, a saúde, a casa e o casamento, um emprego bom com salário digno, a paz e harmonia na família, a ajuda para encontrar coisas perdidas ou superar situações difíceis; enfim, o milagre de uma vida normal, do jeito que Deus pensou e quer, mas que hoje está cada vez mais difícil. É este o maior milagre do santo e também o mais desejado de todos.

Devoções, tradições e crenças

As primeiras manifestações de culto deram-se logo após a morte do santo, desdobrando-se depois, passo a passo, numa constelação de práticas, devoções e crenças, algumas das quais, mais conhecidas, são elencadas a seguir.

Santo casamenteiro

Assim é invocado pelas moças que desejam casar e assim é lembrado pelo nosso folclore. Não se sabe qual a origem da devoção. Talvez se ligue a algum milagre feito pelo santo em favor das mulheres, por exemplo, quando fez um recém-nascido falar para defender a mãe acusada injustamente de infidelidade pelo pai.

Mas há outro episódio com explicação mais direta. Certa senhora, no desespero da miséria a que fora reduzida, decidiu valer-se da filha, prostituindo-a, para sair do atoleiro. Mas a jovem, bonita e decidida, não aceitou de forma alguma. Como a mãe não parasse de insistir, ela resolveu recorrer à ajuda de Santo Antônio. Rezava ela com grande confiança e muitas lágrimas diante da sua imagem quando das mãos do Santo caiu um bilhete que foi parar nas mãos da moça. Estava endereçado a um comerciante da cidade e dizia: “Senhor N…, queira obsequiar esta jovem que lhe entrega este bilhete com tantas moedas de prata quanto o peso do mesmo papel. Deus o guarde! Assinado: Antônio”.

A jovem não duvidou e correu com o bilhete na mão à loja do comerciante. Este achou graça. Mas vendo a atitude modesta e digna da moça colocou o bilhete num dos pratos da balança e no outro deixou cair uma moedinha de prata. Mas qual! O bilhete pesava mais! Intrigado e sem entender o que se passava, o comerciante foi colocando mais uma moeda e outras mais, só conseguindo equilibrar os pratos da balança quando as moedas chegaram a somar 400 escudos. O episódio tornou-se logo conhecido e a moça começou a ser procurada por bons rapazes propondo-lhe casamento, o que não tardou a acontecer, e o casamento foi muito feliz. Daí por diante, as moças começaram a recorrer a Santo António sempre que se tratava de casamento.

Santo das coisas perdidas

Esta tradição é antiquíssima, encontrando-se menção dela no famoso responsório “Si quaeris miracula”, extraído do ofício rimado de Juliano de Espira. Popularmente o “Siquaeris” é mencionado como uma oração taumaturga para encontrar objetos perdidos. A crença pode estar ligada a episódios como este, da vida de Santo António. Quando ensinava teologia aos frades em Montpeilier, na França, um noviço fugiu da Ordem levando consigo o Saltério de Frei António, com preciosas anotações pessoais que utilizava nas suas lições. Rezou o santo pedindo a Deus para dar jeito de reaver o livro e foi atendido deste modo: Enquanto o fugitivo ia passando por uma ponte, foi subitamente tomado pelo pavor, parecendo-lhe ver o demônio na sua frente que o intimava: “Ou você devolve o Saltério ao Frei António ou vou jogá-lo da ponte para o rio!” Assustado e arrependido, o jovem voltou ao convento com o saltério e confessou ao Santo sua culpa.

O “pão dos pobres”

É ao mesmo tempo uma piedosa devoção e uma instituição assistencial benemérita. Consiste em doações para prover de pão os pobres, honrando assim o “protetor dos pobres” que é Santo António. Uma tradição liga esta obra ao episódio de uma mãe cujo filho se afogou dentro de um tanque mas recuperou a vida graças a Santo António. Ela prometera que, se o filho recuperasse a vida, daria uma porção de trigo igual ao peso do menino. Por isso, no começo, esta obra foi conhecida como a obra do pondus pueri (peso do menino). Outra tradição relaciona a obra do pão dos pobres com uma senhora de Tbulon, chamada Luísa Bouffier. A porta do seu armazém tinha enguiçado de tal modo que não havia outro remédio senão arrombar a porta. Fez então uma promessa ao Santo: se conseguisse abrir a porta sem arrombá-la, doaria aos pobres uma quantia de pães. E deu certo. Daí por diante, as petições ao Santo foram se multiplicando em diferentes necessidades.Tbda vez que alguém era atendido, oferecia certa quantia de dinheiro para o pão dos pobres. A pequena mercearia de Luísa Bouffier tornou-se uma espécie de oratório ou centro sócial. A benéfica obra do “pão dos pobres” teve extraordinário desenvolvimento, com diferentes modalidades, e hoje é conhecida em toda parte.

Trezena

E uma “novena” de 13 dias lembrando a data da morte de Santo António. Também se lembra o dia 13 de cada mês, porque “Dia 13 não é dia de azar, é dia de Santo António”. Outros lembram Santo António nas quartas-feiras, dia em que foi sepultado.

Breve de S. Antônio

Consiste numa medalha ou imagem do Santo que se leva consigo, com esta sentença escrita no verso: “Ecce Crucem Domini, fugite partes adversão! Vicit Leo de Tribu Juda, radix David. Alleluia, alleluia!” (Eís a Cruz do Senhor, afastai-vos forças adversas! Venceu o Leão da tribo de Judá, da raiz de Davi. Aleluia, aleluia). Esta sentença teria sido revelada pelo Santo a uma senhora que estava possessa, a fim de ser por ela libertada. É uma devoção que remonta ao século XIII.

Extraído dos Cadernos Franciscanos, “Santo Antônio e a devoção Popular”, de Frei Adelino Pilonetto, ofmcap

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

Especial Santo Antônio: O Pão de Santo Antônio


À luz da Teologia do culto dos santos, podemos perceber que Santo Antônio, por ter sido um “homem enamorado de Cristo e do seu Evangelho”, apresenta uma mensagem muito rica. Poderíamos desdobrá-la a partir dos símbolos com os quais ele é representado, como o Livro dos Evangelhos. o Menino Jesus sobre o Livro, a Cruz, o lírio.

Aqui gostaríamos de deter-nos no símbolo do pão. O pão constitui um elemento inseparável de toda a devoção a Santo Antônio, independente de sua origem. Ele até se chama “Pão de Santo Antônio”.

A história do “Pão de Santo Antônio” remonta a um fato curioso que é assim narrado: “Antônio comovia-se tanto com a pobreza que, certa vez, distribuiu aos pobres todo o pão do convento em que vivia. O frade padeiro ficou em apuros, quando, na hora da refeição, percebeu que os frades não tinham o que comer: os pães tinham sido roubados”.

Atônito, foi contar ao santo o ocorrido. Este mandou que verificasse melhor o lugar em que os tinha deixado. O Irmão padeiro voltou estupefato e alegre: os cestos transbordavam de pão, tanto que foram distribuídos aos frades e aos pobres do convento.

Até hoje na devoção popular o “pãozinho de Santo Antônio” é colocado, pelos fiéis nos sacos de farinha, com a fé de que, assim, nunca lhes faltará o de que comer.

Mais do que a lenda da origem do “Pão de Santo Antônio”, importa perceber toda a riqueza do seu simbolismo. Sem dúvida ele revela toda a riqueza da dimensão apostólica da vida de Santo Antônio.

Por curiosidade interessei-me em saber se havia alguma estátua de Santo António com o pão em sua figuração. Assim, certo dia, entrei por acaso na igreja de Santa Luzia no Castelo, no Centro do Rio de Janeiro. Encontrei no fundo da igreja uma Imagem de Santo Antônio, tendo sobre o braço esquerdo o Livro dos Evangelhos, com o Menino Deus sentado sobre o livro, segurando um cesto repleto de pães, enquanto Santo Antônio com a mão direita oferece um pão a alguém. Era o que procurava.

Fato é que, através de Santo Antônio, Jesus continua a realizar o grande milagre da multiplicação dos pães. Jesus tem compaixão da multidão faminta e multiplica o pão para saciar-lhe a fome.

Mas se olharmos para as narrações da multiplicação dos pães, vemos que Jesus nunca age sozinho. Pede a colaboração dos apóstolos: “Dai-lhes vós mesmos de comer; quantos pães tendes, ide ver”. Voltando de sua procura, trouxeram-lhe cinco pães e dois peixes. Deu ordens para que fizessem sentar-se à multidão, em grupos, na relva verde. Jesus dá graças sobre os pães e os peixes e dá aos discípulos para distribuí-los. E no fim foram ainda os apóstolos que recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e restos de peixe (cf. Mc 6,35-44).

O grande milagre de Jesus está em multiplicar sua presença e sua ação nos seus discípulos. Através deles é que Jesus quer saciar a fome da multidão faminta, tanto da fome corporal como espiritual. Através dos seus discípulos Jesus deseja ser alimento, deseja ser o pão para a vida do mundo.

O pão simboliza tudo. Simboliza a vida. simboliza a fraternidade. Quando se diz que falta o pão, dizemos que falta a comida, falta o alimento, falta o necessário para a vida. Por isso, Jesus ensina a pedir o pão de cada dia, em outras palavras, que Deus nos conceda a vida, para que possamos realizar a sua vontade, para que o seu Reino venha, e, assim, seu nome seja santificado, ele que é nosso Pai.

Como diz Santo Irineu: A glória de Deus é a vida do ser humano. Por isso, diz São Tiago em sua carta: “A religião pura e imaculada diante de Deus Pai é visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações e conservar-se sem mancha neste mundo” (1,27).

Há duas maneiras de se fazer a memória e assim tomar presente Jesus Cristo hoje na Igreja, nos cristãos, no mundo: A primeira é a memória ritual ou celebrativa, principalmente pelos sacramentos e de modo especial pela Eucaristia. O segundo modo é pela memória testamentária.
É viver o testamento de Jesus Cristo transmitido na última Ceia, isto é, viver o sentido do lava-pés: viver o novo mandamento, ser também Corpo dado e Sangue derramado, a exemplo de Jesus Cristo.

São duas expressões da ação de graças, da Eucaristia, são duas maneiras de se viver a Eucaristia. Uma sem a outra é estéril; uma alimenta a outra. Não há verdadeira Eucaristia celebrada sem que também sejamos pão partilhado para a vida do próximo, a exemplo de Jesus Cristo.

Talvez o maior milagre que Santo Antônio continua realizando é justamente que sua mensagem, sua caridade, continuam presentes em tantas obras de caridade, em tantas “Pias Uniões de Santo Antônio”, em tantas mulheres e homens também, capazes de dedicarem toda a sua capacidade de amor e de serviço ao próximo necessitado junto a igrejas dedicadas a Santo Antônio através do pão de Santo Antônio.

Quantas senhoras que dão seu tempo, sua dedicação para assistirem famílias e pessoas necessitadas! As contribuições em dinheiro oferecidas pelos fiéis para o “Pão de Santo Antônio” ou entregues aos frades “para os seus pobres”.

Tudo isso poder-se-ia acusar de paternalismo. Não. Nosso Senhor mesmo disse: Pobres sempre tereis entre vós (cf. Jo 12,8). Penso que em relação a eles devemos distinguir dois aspectos: As obras de misericórdia fazem parte da vida evangélica, da vida cristã.

Contando a parábola do bom samaritano, Nosso Senhor nos ensina claramente que cada um deve aproximar-se do necessitado, ser próximo daquele que necessita de compaixão. Fazer o que estiver em nossas mãos para auxiliá-lo em sua necessidade.

Poderão dizer: Devemos promover a pessoa, dar-lhe o anzol para que possa pescar. Contudo se não tiver força nem para segurar o anzol será preciso dar-lhe também e, em primeiro lugar, o peixe. Claro que num segundo momento, ou simultaneamente, vem a promoção, que consistirá em criar todo um conjunto de condições para que a pessoa tenha condições de se autopromover. Através de suas imagens se percebe que Santo Antônio não retém o Menino Deus para si.

Apresenta-o, oferece-o a todos. Esta oferta transforma-se concretamente em pão, em alimento, e promoção das pessoas, principalmente das mais necessitadas.

Santo Antônio foi, sem dúvida, o grande pregador do Evangelho, o anunciador da verdadeira doutrina sobre Jesus Cristo. Encontrou Jesus Cristo e o seu mistério no estudo e na meditação dos Santos Evangelhos. Mas não o reteve para si.

Ele continua revelando esta faceta da vida evangélica e apostólica à Igreja dos nossos dias, convocada para a nova evangelização. Importa, porém, que os pregadores do Evangelho hoje também o vivam, também tenham encontrado nele o Cristo Jesus.

Só assim, o testemunho, o anúncio de Jesus Cristo será proclamado com novo ardor, será autêntico, e, por isso, eficaz. Como Antônio, o grande pregador, o missionário incansável, o homem de oração, todos os cristãos que aderem a Cristo, que são batizados e recebem o Espírito Santo como Dom do Pai e do Filho, no Sacramento da Crisma, também são chamados a viver sua vocação profética.

Ser profeta significa antes de tudo dar o testemunho do novo mandamento da caridade. Significa imitar Deus que é amor. É viver o amor na comunidade conjugal, na comunidade familiar, na comunidade social. Ser profeta e profetisa é revelar Deus neste mundo através do amor e apontar para Deus, imitando-o no seu amor em todas as circunstâncias da vida, é levar uma vida segundo o Evangelho.

Não só os apóstolos, não só os Bispos e os sacerdotes e os religiosos e religiosas devem pregar ou anunciar o Evangelho. Também o fiel leigo participa desta missão da Igreja. Desta forma ele se transforma em pão multiplicado para saciar a multidão faminta.

Quais as modalidades de sua pregação? Primeiro, sendo fiel à sua vocação cristã de viver na graça de Deus. Na medida em que ele estiver em comunhão com Deus, já está realizando um apostolado. Mas não basta evangelizar-se.

O cristão leigo também é chamado a evangelizar: pelo exemplo de vida cristã, ou pelo testemunho; pela palavra de exortação e de edificação quando se lhe oferecer a ocasião; pela ação, participando das diversas Pastorais da Igreja em suas diversas dimensões: a comunhão e a participação, nos ministérios leigos, nos diversos serviços da Comunidade, na Pastoral vocacional; na colaboração com as missões da Igreja, indo eventualmente para terras de missão; na Catequese; nos diversos serviços na Liturgia; no Ecumenismo; na dimensão sóclo-transformadora, ajudando a construir um mundo mais justo e fraterno.

Mas é próprio do apostolado ou da evangelização do cristão leigo, a consagração do mundo através de sua ação, nos diversos estados de vida, nos diversos campos de trabalho e nas mais variadas profissões: no mundo do trabalho, do esporte, da arte, das ciências, da política, da justiça, da promoção da Paz, da Justiça, da Ecologia.

São fundamentalmente dois os modos de agir do Divino Espírito Santo na vida do cristão. Ele suscita vida, faz surgir a vida. Eis o sopro de Deus na manhã da criação, o sopro de Jesus Cristo, na manhã da ressurreição. Mas, por outro lado. ele faz com que a vida se desenvolva e chegue à perfeição. No Batismo ele nos faz filhos de Deus, nos faz renascer pela água, símbolo de vida. Mas esta vida não pode permanecer como uma semente.

Deve germinar, nascer, crescer e produzir frutos, ser fecunda, multiplicar-se. Eis o sentido da Crisma. Para que possa realizar sua vocação e missão batismals, o cristão é ungido pelo Espirito Santo na Crisma.

Assim como a Páscoa é a celebração do Batismo, o Pentecostes celebra a Crisma, reavivando na Comunidade Eclesial o Dom do Espirito Santo, para que possa realizar em sua vida a mensagem do Evangelho como discípulo e discípula de Cristo, e contribuir para a construção de um mundo mais justo e mais fraterno. Não está aqui também o “Pão de Santo Antônio” multiplicado nos cristãos, o própio Cristo Jesus como Corpo dado e Sangue derramado para que o mundo tenha vida e a tenha em abundância?

Através de Santo Antônio. Nosso Senhor está convidando continuamente os cristãos a pensarem no bem do próximo, a amarem o próximo como a si mesmos e a darem uma atenção especial ao necessitado, ao pobre. Claro que não se trata apenas do pão de Santo Antônio, da esmola oferecida ao frade ou ao Convento, com as palavras: “para os seus pobres”.

Esta doação tem também o valor de um símbolo, de uma celebração, como a contribuição material colocada na salva na hora da preparação das oferendas. Através da esmola ou da contribuição colocada em comum, o cristão que deseja ser discípulo de Cristo, que deseja viver segundo a mensagem do Evangelho, celebra a generosidade e a dadivosidade do Deus Criador, e a de Jesus Cristo, o Redentor que deu a própria vida para que os seres humanos tenham vida.

Através de sua oferta, o cristão celebra a própria vocação de poder imitar a dadivosidade e a generosidade de Deus criador e de Jesus Cristo, pois como diz Jesus: “Recebestes de graça, de graça dai” (Mt 10,8). É uma graça poder dar. poder partilhar.

Dar de graça, ser generoso, pensar no bem comum, no bem do próximo, promover a vida do próximo, eis o mistério revelado no símbolo do pão de Santo António. Não se dá apenas uma esmola. Podemos e devemos dar o trabalho, o tempo, a atenção, o perdão, a seriedade e a honestidade em nossa ação profissional que vale muito mais do que o dinheiro.

Sim, o milagre do Pão de Santo Antônio continua até hoje em seus devotos. Ele nos ensina e nos ajuda a sermos mais cristãos. Nele manifesta-se a espiritualidade pascal, dos atos de amor, das ações de serviço ao próximo, da promoção do ser humano, para que tenha vida e a tenha em abundância.

A devoção a Santo Antônio constitui elemento integrante da tradição religiosa do povo brasileiro. Esteve presente desde o Inicio de sua evangelização e continua vivo em nossos dias. Por isso, na nova evangelização e no aprofundamento da fé cristã do povo brasileiro, a devoção aos santos em geral e, especialmente, a Santo Antônio, terá que ser respeitada e cultivada na Pastoral da Igreja no Brasil.

Importa estar atenta ao que o nosso povo tem como seu e valoriza, para, a partir daí, ajudá-lo a encontrar sempre mais intensamente a Cristo e chegar por Cristo ao Pai em comunhão com o Espírito Santo

A nova evangelização no Brasil passa pelo culto dos santos, e, de modo especial por Santo Antônio, quando este santo vem apresentado por João Paulo II como um homem “enamorado de Cristo e do seu Evangelho”.

Extraído da Revista “Grande Sinal”, autoria de Frei Alberto Beckhauser, ofm

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/