quinta-feira, 20 de julho de 2017

FRANCISCO E A AMIZADE


Francisco de Assis, amigo de Clara de Assis, amigo de Ângelo, de Rufino, de Leão, seu amigo pessoal, confidente, confessor e secretário. Francisco amigo de todos da Fraternidade, Francisco amigo e Irmão de todos os seres da natureza. Uma amizade de presença, carinho, reconhecimento, retribuição, elogios, uma amizade realmente fraterna. Ao seu redor todos se sentem amados.

No caminho de Francisco a amizade é uma seta indicativa de lugar relacional, porque traz a raiz sólida de uma força de convivência. Todo o bom relacionamento tem interferência  na vida e na prática. Como atuar no comum sem a força de um amor fraterno pessoal?  Olhemos para Francisco como ele se aproximava de tudo e de todos: como amigo e irmão, com amor cálido, cordial e intimidade fraterna. Temos que aprender com ele!

Nossas aproximações às vezes são de interesse, de afirmar nosso lado de saber, ter e poder. Isto atinge nossa formação, nossa eclesialidade e vivência comum. Nem sempre foi priorizado o âmbito do coração, do sentimento, da afetividade e da emotividade. Muitas vezes, quando temos aproximações marcantes com alguém, somos rotulados de carentes, além de aparecerem expressões de inveja, ciúme, repressões, tensões e rupturas.

Há amigos, se é que assim podemos chama-los,  que se aproximam enquanto levam vantagem. Depois entram num ostracismo sem tamanho quando você deixou de ser útil para eles. Porém,  há aqueles que despojadamente são fiéis escudeiros de uma vida.

Imagem acima de Piero Casentini: Francisco e seus companheiros.

Fonte: http://carismafranciscano.blogspot.com.br

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Santo Antônio de Sant'Anna Galvão, homem de paz e caridade

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Frei Galvão era cheio do espírito da caridade, não media sacrifícios para aliviar os sofrimentos alheios

Conhecido como “o homem da paz e da caridade”, Antônio de Sant’Anna Galvão, popularmente conhecido como Frei Galvão nasceu no dia 10 de maio de 1739, na cidade de Guaratinguetá (SP).

Filho de Antônio Galvão, português natural da cidade de Faro em Portugal, e de Isabel Leite de Barros, natural da cidade de Pindamonhangaba, em São Paulo. O ambiente familiar era profundamente religioso. Antônio viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, pois seus pais gozavam de prestígio social e influência política.

O pai, querendo dar uma formação humana e cultural segundo suas possibilidades econômicas, mandou Antônio, com a idade de 13 anos, à Bahia, a fim de estudar no seminário dos padres jesuítas.

Em 1760, ingressou no noviciado da Província Franciscana da Imaculada Conceição, no Convento de São Boaventura do Macacu, na Capitania do Rio de Janeiro. Foi ordenado sacerdote no dia 11 de julho de 1762, sendo transferido para o Convento de São Francisco em São Paulo.

Em 1774, fundou o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência, hoje Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz, das Irmãs Concepcionistas da Imaculada Conceição.

Cheio do espírito da caridade, não media sacrifícios para aliviar os sofrimentos alheios. Por isso o povo a ele recorria em suas necessidades. A caridade de Frei Galvão brilhou, sobretudo, como fundador do mosteiro da Luz, pelo carinho com que formou as religiosas e pelo que deixou nos estatutos do então recolhimento da Luz. São páginas que tratam da espiritualidade, mas em particular da caridade de como devem ser vivida a vida religiosa e tratadas as pessoas de dentro e de fora do “recolhimento”.

Às 10 horas do dia 23 de dezembro de 1822, no Mosteiro da Luz de São Paulo, havendo recebido todos os sacramentos, adormeceu santamente no Senhor, contando com seus quase 84 anos de idade. Foi sepultado na Capela-Mor da Igreja do Mosteiro da Luz, e sua sepultura ainda hoje continua sendo visitada pelos fiéis.

Sobre a lápide do sepulcro de Frei Galvão está escrito para eterna memória: “Aqui jaz Frei Antônio de Sant’Anna Galvão, ínclito fundador e reitor desta casa religiosa, que tendo sua alma sempre em suas mãos, placidamente faleceu no Senhor no dia 23 de dezembro do ano de 1822”. Sob o olhar de sua Rainha, a Virgem Imaculada, sob a luz que ilumina o tabernáculo, repousa o corpo do escravo de Maria e do Sacerdote de Cristo, a continuar, ainda depois da morte, a residir na casa de sua Senhora ao lado de seu Senhor Sacramentado.

Frei Galvão é o religioso cujo coração é de Deus, mas as mãos e os pés são dos irmãos. Toda a sua pessoa era caridade, delicadeza e bondade: testemunhou a doçura de Deus entre os homens. Era o homem da paz, e como encontramos no Registro dos Religiosos Brasileiros: “O seu nome é em São Paulo, mais que em qualquer outro lugar, ouvido com grande confiança e não uma só vez, de lugares remotos, muitas pessoas o vinham procurar nas suas necessidades”.

O dia 25 de outubro, dia oficial do santo, foi estabelecido, na Liturgia, pelo saudoso Papa João Paulo II, na ocasião da beatificação de Frei Galvão em 1998 em Roma. Com a canonização do primeiro santo que nasceu, viveu e morreu no Brasil, a 11 de maio de 2007, o Papa Bento XVI manteve a data de 25 de outubro.

Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, rogai por nós!

Reflexão

Frei Galvão foi chamado "Bandeirante de Cristo", porque tinha na alma a grandeza, o arrojo e fortaleza de um verdadeiro bandeirante. Renunciou a uma brilhante situação no mundo para servir a Jesus Cristo. Cheio do espírito de caridade, não media sacrifícios para aliviar os sofrimentos alheios. Foi considerado santo mesmo já antes de sua morte.

Oração


Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu Vos adoro, louvo e Vos dou graças pelos benefícios que me fizestes. Peço-Vos, por tudo que fez e sofreu o Vosso servo Frei Antônio de Sant'Anna Galvão, que aumenteis em mim a fé, a esperança e a caridade, e Vos digneis conceder-me a graça que ardentemente almejo. Amém. 

Frei Galvão – Assistente espiritual da Ordem Terceira

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Em 09 de agosto de 1776, Frei Galvão foi empossado no cargo de comissário da Ordem Terceira da Penitência de São Francisco (Hoje Ordem Franciscana Secular).

É interessante saber que quando foi nomeado para dar Assistência Espiritual à Ordem Terceira, Frei Galvão encontrou resistência por parte de alguns dos irmãos da Fraternidade. O motivo dessa resistência nada teve a ver com a pessoa de Frei Galvão.

É que os membros dessa fraternidade eram muito apegados ao Comissário anterior, Frei Inácio do Nascimento Sales, e não conformados com a sua transferência para a cidade de Itu, pressionaram o Padre Provincial para que revogasse essa transferência.

Mas não foram atendidos . Ao contrário, foi lhes dado a garantia de que o Frei Galvão que substituiria Frei Inácio seria do agrado de todos.

Aos poucos com muita atuação competente e atenciosa, foi conquistando a simpatia da fraternidade, que lhe devotava profunda amizade e admiração.

Desenvolveu sábias medidas à respeito do patrimônio da Ordem , investindo em bens imóveis, que dariam sustentabilidade econômica à Ordem Terceira.

Desenvolveu também a parte espiritual da formação dos membros da Venerável  Ordem Terceira. Sua atuação foi tão eficiente que por diversas vezes seus superiores o nomearam para outras tarefas, como Visitador Oficial em diversos Conventos da Província. Isso prova a grande confiança que ele gozava na Ordem Franciscana.

Até o ano de 1779, podemos encontrar nos Livros de Atas da Venerável Ordem Terceira as assinaturas de Frei Galvão.


Enquanto residiu no convento São Francisco, a atividade apostólica de Frei Galvão foi muito intensa. Por mais de 55 anos, além de desempenhar os cargos que a Província lhe incumbia, era dali que partia para as suas viagens missionárias, para cuidar e orientar as religiosas do Recolhimento da Luz, construir os mosteiros da Luz e de Santa Clara, dar assistência à Ordem Terceira. Para o bem da verdade, mesmo morando nos últimos anos no Mosteiro da Luz, por problemas de saúde, durante os quase 60 anos de seu sacerdócio sempre pertenceu ao Convento São Francisco, do Largo São Francisco.

Visita da Fraternidade ao Museu de Arte Sacra no Mosteiro da Luz

Aconteceu no sábado dia 15/07/17 a visita da Fraternidade Chagas ao Museu de Arte Sacra no Mosteiro da Luz.

Apreciamos as belas peças do referido museu, imagens, relíquias, quadros, etc. Muitos dos quais parecidos com os do acervo da Venerável Ordem Terceira.

E juntos sonhamos de ter com a graça de Deus um espaço expositivo tão bonito e seguro como o do museu no Mosteiro da Luz.

A seguir participamos da Celebração da Santa Eucaristia presidida pelo nosso Assistente Espiritual Frei Gustavo G Medella, OFM.

Ao final rezamos como fraternidade junto ao túmulo de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão.

Agradecemos e fizemos preces ao Frei Galvão que no passado foi Assistente Espiritual de nossa Fraternidade das Chagas.

Com muita fotos e sorrisos vivenciamos uma linda tarde de alegria fraterna.

Que Deus abençoe a todos os participantes.

E o Senhor me deu irmãos...!

Fraternalmente,

Maria Nascimento      












terça-feira, 11 de julho de 2017

Concerto na Igreja das Chagas - 18/07



São Bento, Pai do monaquismo ocidental

São Bento

Em 1964, Paulo VI declarava São Bento padroeiro principal da Europa, tributando desse modo justo reconhecimento ao santo a quem a civilização europeia deve muito. Nascido Benedetto da Nórcia, foi um monge italiano, fundador da Ordem dos Beneditinos, uma das maiores ordens monásticas do mundo. Foi o criador da Regra de São Bento, um dos mais importantes e utilizados regulamentos de vida monástica, inspiração de muitas outras comunidades religiosas. Era irmão gêmeo de Santa Escolástica. Foi designado patrono da Alemanha também. É venerado não apenas por católicos, como também por ortodoxos. Foi o fundador da Abadia do Monte Cassino, na Itália, destruída durante a Segunda Guerra Mundial e posteriormente restaurada.

Quatro anos antes do seu nascimento, que foi em Núrcia, pelo ano de 480, o bárbaro rei dos hérulos matou o último imperador romano, fechou definitivamente o capítulo do domínio de Roma: a sobrevivência da cultura romana só foi possível através do empenho religioso e cultural dos monges. Com São Bento abre-se precisamente o glorioso capítulo da vida monástica ocidental.

Bento pertencia à influente e nobre família Anícia e tinha uma irmã gêmea chamada Escolástica, também fundadora e santa da Igreja. Era ainda muito jovem quando foi enviado a Roma para aprender retórica e filosofia. No entanto, decepcionado com a vida mundana e superficial da cidade eterna, retirou-se para Enfide, hoje chamada de Affile. Levando uma vida ascética e reclusa, passou a se dedicar ao estudo da Bíblia e do cristianismo.

Ainda não satisfeito, aos vinte anos isolou-se numa gruta do monte Subiaco, sob orientação espiritual de um velho monge da região chamado Romano. Assim viveu por três anos, na oração e na penitência, estudando muito. Depois, agregou-se aos monges de Vicovaro, que logo o elegeram seu prior. Mas a disciplina exigida por Bento era tão rígida, que esses monges indolentes tentaram envenená-lo. Segundo seu biógrafo, ele teria escapado porque, ao benzer o cálice que lhe fora oferecido, o mesmo se partiu em pedaços.

Bento abandonou, então, o convento e, na companhia de mais alguns jovens, entre eles Plácido e Mauro, emigrou para Nápoles. Lá, no sopé do monte Cassino, onde antes fora um templo pagão, construiu o seu primeiro mosteiro.

Era fechado dos quatro lados como uma fortaleza e aberto no alto como uma grande vasilha que recebia a luz do céu. O símbolo e emblema que escolheu foram a cruz e o arado, que passaram a ser o exemplo da vida católica dali em diante.

As regras rígidas não poderiam ser mais simples: “Ora e trabalha”. Acrescentando-se a esse lema “leia”, pois, para Bento, a leitura devia ter um espaço especial na vida do monge, principalmente a das Sagradas Escrituras. Desse modo, estabelecia-se o ritmo da vida monástica: o justo equilíbrio, do corpo, da alma e do espírito, para manter o ser humano em comunhão com Deus. Ainda, registrou que o monge deve ser “não soberbo, não violento, não comilão, não dorminhoco, não preguiçoso, não detrator, não murmurador”.

A oração e o trabalho seriam o caminho para edificar espiritual e materialmente a nova sociedade sobre as ruínas do Império Romano que acabara definitivamente. Nesse período, tão crítico para o continente europeu, este monge tão simples, e por isto tão inspirado, propôs um novo modelo de homem: aquele que vive em completa união com Deus, através do seu próprio trabalho, fabricando os próprios instrumentos para lavrar a terra. A partir de Bento, criou-se uma rede monástica, que possibilitou o renascimento da Europa.

Celebrado pela Igreja no dia 11 de julho, ele teria profetizado a morte de sua irmã e a própria. São Bento não foi o fundador do monaquismo cristão, que já existia havia três séculos no Oriente. Mas merece o título de “Pai do Monaquismo Ocidental”, que ali só se estabeleceu graças às regras que ele elaborou para os seus monges, hoje chamados “beneditinos”.

São Bento de Núrcia

Queridos irmãos e irmãs!

Gostaria hoje de falar de São Bento, fundador do monaquismo ocidental, e também Padroeiro do meu pontificado. Começo com uma palavra de São Gregório Magno, que escreve de São Bento: “O homem de Deus que brilhou nesta terra com tantos milagres não resplandeceu menos pela eloquência com que soube expor a sua doutrina” (Dial. II, 36). O grande Papa escreveu estas palavras no ano de 592; o santo monge tinha falecido 50 anos antes e ainda estava vivo na memória do povo, sobretudo na florescente Ordem religiosa por ele fundada. São Bento de Núrcia com a sua vida e a sua obra exerceu uma influência fundamental sobre o desenvolvimento da civilização e da cultura europeia. A fonte mais importante sobre a sua vida é o segundo livro dos Diálogos de São Gregório Magno. Não é uma biografia no sentido clássico. Segundo as ideias do seu tempo, ele pretende ilustrar mediante o exemplo de um homem concreto precisamente de São Bento a subida aos cumes da contemplação, que pode ser realizada por quem se abandona a Deus. Portanto, tem-se um modelo da vida humana como subida para o vértice da perfeição. São Gregório Magno narra também, neste livro dos Diálogos, de muitos milagres realizados pelo Santo, e também aqui não quer narrar simplesmente algo de estranho, mas demonstrar como Deus, admoestando, ajudando e também punindo, intervenha nas situações concretas da vida do homem. Quer mostrar que Deus não é uma hipótese distante colocada na origem do mundo, mas está presente na vida do homem, de cada homem.

Esta perspectiva do “biógrafo” explica-se também à luz do contexto geral do seu tempo: entre os séculos V e VI o mundo estava envolvido por uma tremenda crise de valores e de instituições, causada pela queda do Império Romano, pela invasão dos novos povos e pela decadência dos costumes. Com a apresentação de São Bento como “astro luminoso”, Gregório queria indicar nesta situação atormentada, precisamente aqui nesta cidade de Roma, a saída da “noite escura da história” (cf. João Paulo II, Insegnamenti, II/1, 1979, p. 1158). De facto, a obra do Santo e, de modo particular, a sua Regra revelaram-se portadoras de um autêntico fermento espiritual, que mudou no decorrer dos séculos, muito além dos confins da sua Pátria e do seu tempo, o rosto da Europa, suscitando depois da queda da unidade política criada pelo império romano uma nova unidade espiritual e cultural, a da fé cristã partilhada pelos povos do continente. Surgiu precisamente assim a realidade à qual nós chamamos “Europa”.

O nascimento de São Bento é datado por volta de 480. Provinha, assim diz São Gregório, “ex provincia Nursiae” da região da Núrcia. Os seus pais abastados enviaram-no para Roma para a sua formação nos estudos. Mas ele não permaneceu por muito tempo na Cidade eterna. Como explicação plenamente credível, Gregório menciona o facto de que o jovem Bento sentia repugnância pelo estilo de vida de muitos dos seus companheiros de estudos, que viviam de modo dissoluto, e não queria cair nos mesmos erros deles. Desejava aprazer unicamente a Deus; “soli Deo placere desiderans” (II Dial., Prol. 1). Assim, ainda antes da conclusão dos seus estudos, Bento deixou Roma e retirou-se na solidão dos montes a leste da cidade. Depois de uma primeira estadia na aldeia de Effide (actualmente Affile), onde durante um certo período se associou a uma “comunidade religiosa” de monges, fez-se eremita na vizinha Subiaco. Ali viveu durante três anos completamente sozinho numa gruta que, a partir da Alta Idade Média, constitui o “coração” de um mosteiro beneditino chamado “Sagrada Espelunca”. O período em Subiaco, marcado pela solidão com Deus, foi para Bento um tempo de maturação. Ali tinha que suportar e superar as três tentações fundamentais de cada ser humano: a tentação da auto-suficiência e do desejo de se colocar no centro, a tentação da sensualidade e, por fim, a tentação da ira e da vingança. De facto, Bento estava convencido de que, só depois de ter vencido estas tentações, ele teria podido dizer aos outros uma palavra útil para as suas situações de necessidade. E assim, tendo a alma pacificada, estava em condições de controlar plenamente as pulsões do eu, para deste modo ser um criador de paz em seu redor. Só então decidiu fundar os seus primeiros mosteiros no vale do Anio, perto de Subiaco.

No ano de 529, Bento deixou Subiaco para se estabelecer em Montecassino. Alguns explicaram esta transferência como uma fuga das maquinações de um invejoso eclesiástico local. Mas esta tentativa de explicação revelou-se pouco convincente, dado que Bento não regressou para lá depois da morte repentina do mesmo (II Dial. 8). Na realidade, esta decisão impôs-se-lhe porque tinha entrado numa nova fase da sua maturação interior e da sua experiência monástica. Segundo Gregório Magno, o Êxodo do vale remoto do Anio para Monte Cassio uma altura que, dominando a vasta planície circunstante, se vê ao longe reveste um carácter simbólico: a vida monástica no escondimento tem uma sua razão de ser, mas um mosteiro tem também uma sua finalidade pública na vida da Igreja e da sociedade, deve dar visibilidade à fé como força de vida. De facto, quando, em 21 de Março de 574, Bento concluiu a sua vida terrena, deixou com a sua Regra e com a família beneditina por ele fundada um patrimônio que deu nos séculos passados e ainda hoje continua a dar frutos em todo o mundo.

Em todo o segundo livro dos Diálogos, Gregório ilustra-nos como a vida de São Bento estivesse imersa numa atmosfera de oração, fundamento portante da sua existência. Sem oração não há experiência de Deus. Mas a espiritualidade de Bento não era uma interioridade fora da realidade. Na agitação e na confusão do seu tempo, ele vivia sob o olhar de Deus e precisamente assim nunca perdeu de vista os deveres da vida quotidiana e o homem com as suas necessidades concretas. Ao ver Deus compreendeu a realidade do homem e a sua missão. Na sua Regra ele qualifica a vida monástica “uma escola ao serviço do Senhor” (Prol. 45) e pede aos seus monges que “à Obra de Deus [ou seja, ao Ofício Divino ou à Liturgia das Horas] nada se anteponha” (43, 3). Mas ressalta que a oração é em primeiro lugar um ato de escuta (Prol. 9-11), que depois se deve traduzir em ação concreta. “O Senhor aguarda que nós respondamos todos os dias com os factos aos seus ensinamentos”, afirma ele (Prol. 35). Assim a vida do monge torna-se uma simbiose fecunda entre ação e contemplação “para que em tudo seja glorificado Deus” (57, 9). Em contraste com uma auto-realização fácil e egocêntrica, hoje com frequência exaltada, o primeiro e irrenunciável compromisso do discípulo de São Bento é a busca sincera de Deus (58, 7) sobre o caminho traçado pelo Cristo humilde e obediente (5, 13), ao amor do qual ele nada deve antepor (4, 21; 72, 11) e precisamente assim, no serviço do outro, se torna homem do serviço e da paz. Na prática da obediência realizada com uma fé animada pelo amor (5, 2), o monge conquista a humildade (5, 1), à qual a Regra dedica um capítulo inteiro (7). Desta forma o homem torna-se cada vez mais conforme com Cristo e alcança a verdadeira auto-realização como criatura à imagem e semelhança de Deus.

À obediência do discípulo deve corresponder a sabedoria do Abade, que, no mosteiro, desempenha “as funções de Cristo” (2, 2; 63, 13). A sua figura, delineada sobretudo no segundo capítulo da Regra, com um perfil de espiritual beleza e de compromisso exigente, pode ser considerada como um auto-retrato de Bento, porque como escreve Gregório Magno “o Santo não pôde de modo algum ensinar de uma forma diferente da qual viveu” (Dial. II, 36). O Abade deve ser ao mesmo tempo terno e mestre severo (2, 24), um verdadeiro educador. Inflexível contra os vícios, é contudo chamado sobretudo a imitar a ternura do Bom Pastor (27, 8), a “ajudar e não a dominar” (64, 8), a “acentuar mais com os factos do que com as palavras tudo o que é bom e santo” e a “ilustrar os mandamentos divinos com o seu exemplo” (2, 12). Para ser capaz de decidir responsavelmente, também o Abade deve ser homem que escuta “os conselhos dos irmãos” (3, 2), porque “muitas vezes Deus revela ao mais jovem a solução melhor” (3, 3). Esta disposição torna surpreendentemente moderna uma Regra escrita há quase quinze séculos! Um homem de responsabilidade pública, e também em pequenos âmbitos, deve ser sempre também um homem que sabe ouvir e aprender de quanto ouve.

Bento qualifica a Regra como “mínima, traçada só para o início” (73, 8); mas, na realidade, ela pode oferecer indicações úteis não só para os monges, mas também para todos os que procuram uma guia no seu caminho rumo a Deus. Pela sua ponderação, a sua humanidade e o seu discernimento entre o essencial e o secundário na vida espiritual, ele pôde manter a sua força iluminadora até hoje. Paulo VI, proclamando a 24 de Outubro de 1964 São Bento Padroeiro da Europa, pretendeu reconhecer a obra maravilhosa desempenhada pelo Santo mediante a Regra para a formação da civilização e da cultura europeia. Hoje a Europa que acabou de sair de um século profundamente ferido por duas guerras mundiais e depois do desmoronamento das grandes ideologias que se revelaram como trágicas utopias está em busca da própria identidade. Para criar uma unidade nova e duradoura, são sem dúvida importantes os instrumentos políticos, econômicos e jurídicos, mas é preciso também suscitar uma renovação ética e espiritual que se inspire nas raízes cristãs do Continente, porque de outra forma não se pode reconstruir a Europa. Sem esta linfa vital, o homem permanece exposto ao perigo de sucumbir à antiga tentação de se querer remir sozinho utopia que, de formas diferentes, na Europa do século XX causou, como revelou o Papa João Paulo II, “um regresso sem precedentes ao tormento histórico da humanidade” (Insegnamenti, XIII/1, 1990, p. 58). Procurando o verdadeiro progresso, ouvimos também hoje a Regra de São Bento como uma luz para o nosso caminho. O grande monge permanece um verdadeiro mestre em cuja escola podemos aprender a arte de viver o humanismo verdadeiro.

PAPA BENTO XVI

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Custódia celebra 800 anos de presença franciscana

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Jerusalém – Os 800 anos da presença franciscana na Terra Santa (1217 – 2017) serão celebrados com diversas iniciativas, sendo o ápice das celebrações no mês de outubro.

O logotipo das comemorações traz o célebre ícone de São Francisco chegando de barco em Acre (norte de Israel), a Cruz da Custódia e o número “800” em destaque. Também foram criados banners alusivos em diversas línguas que enfatizam a importância da recorrência. Segundo explicou o Frei Narcyz Klimas, arquivista da Custódia e Presidente do Comitê organizativo, eles serão enviados “a todos os Comissariados da Terra Santa e a todos os Conventos no Líbano, Síria, Jordânia, Egito, Rodes, Chipre, Washington, Itália e Espanha”.

“Desde o início do ano já se pensava em como celebrar este importante aniversário”, revelou o religioso, explicando que mesmo as pessoas começavam a perguntar a respeito e a interessar-se.

Uma das tantas iniciativas foi a peregrinação a Acre. Assim, em 11 de junho, um ônibus com frades partiu para Acre, onde na parte da manhã o  Custódio Frei Francesco Patton presidiu uma celebração. Após o almoço, os religiosos fizeram uma breve visita guiada aos bairros de Acco, onde encontram-se os primeiros alojamentos dos frades chegados à Terra Santa. Um concerto no final da tarde concluiu o dia.

Celebrações em outubro

O mês de outubro terá três dias especiais dedicados à conferências e concertos, na presença do Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri; do Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Frei Michael Perry; do Vigário Geral da Ordem, Frei Julio César Bunader e personalidades do mundo universitário e religioso.

No dia 16, uma conferência na parte da manhã será dedicada às organizações e instituições que apoiam as múltiplas atividades da Custódia. Na parte da tarde, o Padre Geral da Ordem abrirá as celebrações do aniversário. Já no dia 17, o Cardeal Leonardo Sandri presidirá a Santa Missa, seguida por uma conferência no Salão da Imaculada sobre o tema “O papel dos franciscanos na Terra Santa”. Seguirão outras conferências, entre as quais, uma dedicada à chegada dos primeiros frades em Acre, uma sobre “Acre Cruzada” e outra sobre vestígios franciscanos encontrados no primeiro convento no Monte Sião.

No terceiro dia – quarta-feira 18 de outubro – o tema do encontro será o significado dos afrescos na Basílica Superior de São Francisco de Assis, seguido por um breve pronunciamento sobre os primeiros Conventos Franciscanos no Oriente Médio. No encerramento, na tarde, está prevista uma missa com o Vigário Geral da Ordem, seguida por um Concerto preparado pelo Instituto Musical da Custódia Magnificat. Mas as iniciativas não param por aí. O organista húngaro Robert Kovács, da Wiener Philarmoniker será o protagonista de diversos concertos em igrejas e basílicas de Tel Aviv-Jaffa, Nazaré, Jerusalém e Belém.

Mídia

Frei Narcyz também ressaltou que com o “Christian Media Center – órgão de comunicação da Custódia dedicado ao vídeo e à TV – estamos procurando realizar um documentário acompanhado por imagens de ficção, para que se construa uma narrativa diferente a partir de lugares símbolos: o Santo Sepulcro, Acre e o Cenáculo”. Também as revistas da Custódia impressas em seis línguas cobrirão a recorrência com uma edição especial ou com aprofundamentos que serão publicados de maneira continuada ao longo de todo o ano. O Comitê organizativo assim, com suas iniciativas, pretende envolver universidades, santuários, escolas, paróquias e revistas nos festejos do oitavo centenário dos franciscanos na Terra Santa.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Universidade cria o “Cantinho do Patrono”

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O Curso de Engenharia de Produção da Universidade São Francisco (USF) – Campus Bragança Paulista, visando o tripé “ensino-pesquisa-extensão”, iniciou em fevereiro do ano passado os Projetos Integradores com a finalidade de incorporar as disciplinas de cada semestre nas quais os alunos estejam matriculados.

Além delas, é levado em conta as dez grandes áreas de atuação do engenheiro de produção, incentivando com isso os alunos a desenvolverem projetos onde coloquem a teoria na prática. Mas, como todo profissional, além de ter conhecimentos técnicos é necessário ter formação humana, ser um indivíduo que cultive a solidariedade, a humildade e, principalmente, busque ser uma pessoa cada vez melhor.

Levando-se em conta a missão da Universidade – Produzir e difundir o conhecimento, libertar o ser humano pelo diálogo entre a ciência e a fé e promover fraternidade e solidariedade, mediante a prática do bem e consequentemente construção da paz – surgiu a ideia, em conversa com a Pastoral Universitária, de fazer um projeto no qual a instituição pudesse ter um ícone. Como sugestão foi apresentado aos alunos criar um espaço com imagens de São Francisco de Assis, o Patrono da Universidade.

O projeto foi inserido na área de Engenharia de Sustentabilidade, tendo como proposta somente utilizar materiais recicláveis, além de levar os alunos à pesquisa sobre a vida de São Francisco de Assis, para que pudessem melhor entender como deveria ser esse espaço.
A Universidade ganhou neste semestre o Cantinho do Patrono e já pode ser visitado em Bragança Paulista.

Suzana A.G. Pádua Lima, coordenadora do Curso de Engenharia de Produção

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Fonte: http://www.franciscanos.org.br

terça-feira, 4 de julho de 2017

Santa Isabel de Portugal



Viúva da Terceira Ordem (1271-1336). 

Canonizada por Urbano VIII no dia 25 de maio de 1625.

Isabel nasceu na Espanha, em 1271. Entre seus antepassados estão muitos santos, reis e imperadores. Era filha de Pedro II, rei de Aragão, que, no entanto, era um jovem príncipe quando ela nasceu. Sem querer ocupar-se com a educação da filha, o monarca determinou que fosse cuidada pelo avô, Tiago I, que se convertera ao cristianismo e levava uma vida voltada para a fé. Sorte da pequena futura rainha, que recebeu, então, uma formação perfeita e digna no seguimento de Cristo.

Tinha apenas doze anos quando foi pedida em casamento por três príncipes, como nos contos de fadas. Seu pai escolheu o herdeiro do trono de Portugal, dom Dinis. Esse casamento significou para Isabel uma coroa de rainha e uma cruz de martírio, que carregou com humildade e galhardia nos anos seguintes de sua vida.

Isabel é tida como uma das rainhas mais belas das cortes espanhola e portuguesa; além disso, possuía uma forte e doce personalidade, era também muito inteligente, culta e diplomata. Ela deu dois filhos ao rei: Constância, que seria no futuro rainha de Castela, e Afonso, herdeiro do trono de Portugal. Mas eram incontáveis as aventuras extraconjugais do rei, tão conhecidas e comentadas que humilhavam profundamente a bondosa rainha perante o mundo inteiro.

Ela nunca se manifestava sobre a situação, de nada reclamava e a tudo perdoava, mantendo-se fiel ao casamento em Deus, que fizera. Criou os filhos, inclusive os do rei fora do casamento, dentro dos sinceros preceitos cristãos.

Perdeu cedo a filha e o genro, criando ela mesma o neto, também um futuro monarca. Não bastassem essas amarguras familiares, foi vítima das desavenças políticas do marido com parentes e, sobretudo, do comportamento de seu filho Afonso, que tinha uma personalidade combativa. Depois, ainda foi caluniada por um cortesão que dela não conseguiu se aproximar. A rainha muito sofreu e muito lutou até provar inocência de forma incontestável.

Sua atuação nas disputas internas das cortes de Portugal e Espanha, nos idos dos séculos XIII e XIV, está contida na história dessas cortes como a única voz a pregar a concórdia e conseguir a pacificação entre tantos egos desejosos de poder. Ao mesmo tempo em que ocupava o seu tempo ajudando a amenizar as desgraças do povo pobre e as dores dos enfermos abandonados, com a caridade da sua esmola e sua piedade cristã.

Ergueu o Mosteiro de Santa Clara de Coimbra para as jovens piedosas da corte, O mosteiro cisterciense de Almoste e o santuário do Espírito Santo em Alenquer. Também fundou, em Santarém, o Hospital dos Inocentes, para crianças cujas mães, por algum motivo, desejavam abandonar. Com suas posses sustentava asilos e creches, hospitais para velhos e doentes, tratando pessoalmente dos leprosos. Sem dúvida foi um perfeito símbolo de paz, do seu tempo.

Quando o marido morreu, em 1335, Isabel recolheu-se no mosteiro das clarissas de Coimbra, onde ingressou na Ordem Terceira Franciscana. Antes, porém, abdicou de seu título de nobreza, indo depositar a coroa real no altar de São Tiago de Compostela. Doou toda a sua imensa fortuna pessoal para as suas obras de caridade. Viveu o resto da vida em pobreza voluntária, na oração, piedade e mortificação, atendendo os pobres e doentes, marginalizados.

A rainha Isabel de Portugal morreu, em Estremoz, no dia 4 de julho de 1336. Venerada como santa, foi sepultada no Mosteiro de Coimbra e canonizada pelo papa Urbano VIII em 1665. Santa Isabel de Portugal foi declarada padroeira deste país, sendo invocada pelos portugueses como “a rainha santa da concórdia e da paz”.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, edizioni Porziuncola
http://www.franciscanos.org.br/

Foto: OFS Chagas

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Papa: Pedro e Paulo sigilaram com o próprio sangue o testemunho de Cristo


Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, nesta quinta-feira (29/06), com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro, Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, que no Brasil será celebrada no próximo domingo.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice ressaltou que “os Padres da Igreja amavam comparar os Santos Apóstolos Pedro e Paulo a duas colunas, sobre as quais se apoia a construção visível da Igreja. Eles sigilaram com o próprio sangue o testemunho de Cristo com a pregação e o serviço à comunidade cristã nascente. Este testemunho é evidenciado nas leituras bíblicas da liturgia de hoje, que indicam o motivo pelo qual a sua fé, confessada e anunciada, foi coroada com a prova suprema do martírio.”

Missão

O Livro dos Atos dos Apóstolos conta o evento da prisão e libertação de Pedro. "Ele experimentou a aversão ao Evangelho em Jerusalém onde foi preso por Herodes que tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, mas foi salvo de forma milagrosa e pode levar a termo a sua missão evangelizadora, primeiramente na Terra Santa e depois em Roma, dedicando todas as suas forças a serviço da comunidade cristã."

Paulo também experimentou hostilidades e foi libertado pelo Senhor. Enviado por Jesus a várias cidades junto às populações pagãs, “ele encontrou resistências fortes da parte de seus correligionários e também da parte das autoridades civis. Escrevendo ao discípulo Timóteo, reflete sobre a própria vida, o percurso missionário e também sobre as perseguições sofridas por causa do Evangelho”.

Provação

“Estas duas libertações, de Pedro e de Paulo, revelam o caminho comum dos dois Apóstolos que foram enviados por Jesus a anunciar o Evangelho em ambientes difíceis e em certos casos hostis. Ambos, com seus vidas pessoais e eclesiais, nos mostram e nos dizem, hoje, que o Senhor está sempre ao nosso lado, caminha conosco, nunca nos abandona. Especialmente no momento da provação, Deus nos estende a mão, nos ajuda e nos liberta das ameaças dos inimigos. Devemos nos lembrar que o nosso inimigo verdadeiro é o pecado, e o maligno nos empurra para isso.” 

Segundo o Papa, “quando nos reconciliamos com Deus, especialmente no Sacramento da Penitência, recebemos a graça do perdão, somos libertados dos vínculos do mal e aliviados do peso de nossos erros. Assim, podemos continuar o nosso percurso de anunciadores alegres e testemunhas do Evangelho, mostrando que nós recebemos por primeiro a misericórdia”.

“A nossa oração hoje à Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, é sobretudo pela Igreja que vive em Roma e por esta cidade que tem como padroeiros os Santos Pedro e Paulo. Que eles  obtenham para essa cidade o bem-estar espiritual e material. A bondade e a graça de Deus sustente todo o povo romano para que viva em fraternidade e concórdia, fazendo resplandecer a fé cristã, testemunhada com coragem pelos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.” 

Pálios

Após a oração mariana do Angelus, o Papa Francisco recordou a missa celebrada na Basílica Vaticana:

“Esta manhã, aqui na praça, celebrei a Eucaristia com os cinco cardeais criados no Consistório de ontem, e abençoei os Pálios dos Arcebispos Metropolitanos nomeados neste último ano, provenientes de vários países. Saúdo e agradeço a todos eles e também aqueles que os acompanharam nesta peregrinação. Eu os encorajei a prosseguir com alegria a sua missão a serviço do Evangelho, em comunhão com toda a Igreja. Nesta mesma celebração, acolhi com afeto os membros da delegação que veio a Roma, em nome do Patriarca Ecumênico, o querido irmão Bartolomeu. Essa presença é sinal dos laços fraternos existentes entre as nossas Igrejas.”

A seguir, o Papa saudou as famílias, grupos paroquiais, associações e os fiéis provenientes da Itália e várias partes do mundo, sobretudo da Alemanha, Inglaterra, Bolívia, Indonésia e Catar. Saudou também os estudantes das escolas católicas de Salbris, na França, de Osijek, Croácia, e Londres. 

Saudou também os fiéis de Roma na festa dos santos padroeiros da cidade. Para essa ocasião, foi promovida a tradicional festa dos tapetes florais, realizados por vários artistas e voluntários. O Papa agradeceu esta iniciativa e recordou a queima de fogos que se realizará, esta noite, na Piazza del Popolo.

Fonte: http://br.radiovaticana.va

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Capítulo das Esteiras da Família Franciscana do Brasil



Paz e bem!

Está chegando o Capítulo das Esteiras da Família Franciscana do Brasil.

Será em Aparecida do Norte, nos dias 3 a 6 de agosto.

Na casa de nossa querida mãe Aparecida que comemora 300 anos.

Com o tema: "Levar ao mundo a misericórdia de Deus  

Lema: "É preciso voltar a Assis..." 

Será um momento único onde celebraremos os 800 anos do Perdão de Assis e 50 anos da união da Família Franciscana  do Brasil. Estaremos em harmonia e sintonia com o profundo de nosso carisma a FRATERNIDADE.

Sintam todos/as convidados/as. Vamos participar!

 Ficará para a história e em nossa memória.

Interessados acessem o site http://www.capitulodasesteiras2017.com.br/ e se INSCREVA ATÉ DIA 30 DE JUNHO.

Capítulo das Esteiras 2017 – Celebração dos 800 anos do perdão de Assis e 50 anos da CFFB – Aparecida – São Paulo – 03 a 06 de agosto de 2017

A Inscrição é R$ 150,00 e não inclui hospedagem e alimentação.

Depósito na conta da Conferência da família franciscana do Brasil

Banco do Brasil

AG 1003-0

Conta corrente 202.143-9


domingo, 25 de junho de 2017

Falece o missionário Frei José Zanchet

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Nosso confrade Frei José Zanchet faleceu na manhã de hoje (25/06), no Convento São Francisco, em São Paulo, às 7h55, enquanto tomava banho, ajudado pelo enfermeiro João.

Ele vinha se tratando de um câncer no cérebro desde setembro de 2015. Sempre disposto e bem humorado, Frei José, embora em tratamento, ajudava muito no atendimento do Convento, sobretudo nas confissões. Há poucos dias, tinha terminado 10 sessões de radioterapia.

Frei José será velado no Convento São Francisco, onde amanhã, às 9h00, será celebrada a Missa de Exéquias. Em seguida, seu corpo será sepultado no mausoléu dos frades no Cemitério do Santíssimo Sacramento.

Dados pessoais, formação e atividades – 

Nascimento: 27.10.1935 (81 anos de idade) . – Natural de Três Arroios, RS. – 
Vestição: 21.12.1955 – Rodeio - 
Primeira Profissão: 22.12.1956 (60 anos de Vida Franciscana) – 
Profissão Solene: 22.12.1959 – 
Ordenação Presbiteral: 15.12.1961 (55 anos de Sacerdócio) – 
1957 – 1958 – Curitiba – estudos de Filosofia; - 
1959 – 1962 – Petrópolis – estudos de Teologia; - 
1963 – Rio de Janeiro – curso de Pastoral; – 
06.12.1963 – Rio de Janeiro – Nossa Senhora da Paz – procurador vocacional - 
10.05.1967 – Chile / Carahue – missionário – 
14.03.1970 – São Lourenço – 
11.02.1972 – Chile / Carahue – missionário, vigário paroquial – 
03.03.1975 – São Paulo – Vila Clementino – vigário paroquial – 
26.12.1975 – Chile / Carahue – vigário paroquial – 
04.12.1979 – Luzerna – vigário paroquial em Joaçaba – 
12.12.1981 – Chopinzinho – vigário paroquial em Mangueirinha – 
25.11.1983 – Rio Brilhante, MS – vigário paroquial – 
21.01.1986 – Dourados, MS – vigário da casa e vigário paroquial – 
24.09.1990 – Angola – missionário – 
05.12.1995 – vigário paroquial e vigário da casa – 
29.11.1997 – Barra, BA – a serviço da Diocese, em Ipupiara, BA – 
10.11.1999 – Ituporanga – vigário paroquial – 
16.05.2001 – Chopinzinho – vigário paroquial – 
07.11.2003 – Balneário Camboriú – vigário da casa e vigário paroquial – 
20.12.2006 – Bauru – vigário paroquial – 
19.12.2007 – Blumenau – vigário paroquial – 
29.01.2009 – Duque de Caxias – Imbariê – vigário paroquial – 
17.12.2009 – Chopinzinho – vigário paroquial – 
12.12.2012 – Curitibanos – vigário paroquial – 
12.12.2013 – Viana – Angola – vigário paroquial – 
set/2015 – São Paulo – São Francisco – tratamento de saúde

Frei José, o missionário franciscano

Aos 81 anos (nascimento em 27 de outubro de 1935), Frei José Zanchet é a história viva da Missão Franciscana em Angola. Componente do primeiro grupo enviado pela Província da Imaculada ao país africano, viveu em Malange e Kibala, em sua primeira passagem pela missão, que durou cinco anos (entre 1990 e 1995) e depois, em sua segunda experiência na missão (desde dezembro de 2013 até 2015), quando foi transferido da Fraternidade São Francisco Solano, de Curitibanos, SC.
Com quase 60 anos de vida religiosa, Frei José tem como marcas a disposição missionária (esteve no Chile, no Sertão da Bahia, no Mato Grosso e em Angola) e aptidão para atividades práticas, ligadas à eletricidade, pequenos reparos, etc.).

Gaúcho de Três Arroios, RS, animou-se em partir para terras angolanas depois que participou de um encontro realizado para os interessados em conhecer um pouco mais da proposta de presença da Província em Angola, realizado entre 22 e 24 de junho de 1990, no Convento São Francisco, em São Paulo. Na época Frei José trabalhava em uma paróquia de Dourados, MS, e relata que a partir daquele encontro em São Paulo se sentiu chamado a seguir para a África: “Eu cheguei na Paróquia em Dourados e logo me sentei para escrever uma carta ao Provincialado, dizendo que estava pronto para partir. Uns quinze dias depois, Frei Estêvão Ottenbreit (Ministro Provincial da época) me telefonou perguntando se eu estava disposto mesmo, e eu respondei: ‘Claro, mande-me’”, conta Frei José, mostrando que desde o início estava inteiramente à disposição para integrar este projeto missionário.

Diante da resposta positiva de Frei José, foram realizados os encaminhamentos necessários. A celebração de envio ocorreu no dia 16 de setembro de 1990, no Seminário Santo Antônio, em Agudos, e o embarque dos missionários, entre eles Frei José, foi no dia 24 de setembro do mesmo ano, sendo que no dia seguinte já estavam em Luanda e, depois, Malange, lugar onde ficariam instalados.

Angola estava em guerra civil e Frei José conta que as dificuldades deste conflito já puderam ser sentidas na chegada. “Quando desembarcamos em Malange, a primeira coisa que vimos do avião foram sete ou oito soldados com as metralhadoras apontadas. Descemos e tivemos que fazer novamente todos os papéis – mesmo já tendo passado por todos os trâmites em Luanda – como se estivéssemos chegando a um país estrangeiro. Como não havia nenhuma mesa para nos apoiarmos, pedi ao Frei Plínio Gande, outro missionário do primeiro grupo, para me ‘emprestar’ as costas e, assim, preenchemos os papéis um nas costas do outro”, recorda.

Por conta das dificuldades de comunicação, a comunidade da Missão em Malange também não tinha informações precisas sobre a hora de chegada dos missionários, mas mesmo assim dentro das possibilidades, fomos muito bem recebidos.”

“A recepção foi muito carinhosa. Mais ou menos uma hora e meia de cantos e homenagens, até que seguimos para casa, já pelas 16h do dia 25 de setembro, para almoçar e descansar um pouco da viagem.

O primeiro trabalho dos frades em Malange foi a visita às comunidades da missão, que eram cerca de 135, muitas delas de acesso muito difícil. Frei José Zanchet destaca e menciona a importância da figura dos catequistas para a sobrevivência em Angola. De acordo com o frade, nas aldeias, que recebiam a visita esporádica de missionários, eram estes homens que mantinham acesa entre o povo a chama da fé. Os catequistas organizavam os trabalhos pastorais e também conduziam as celebrações de domingo. Com frequência se entusiasmavam e as celebrações ficavam longas, fato do qual Frei José se recorda com certo humor.

Frei José e os outros dois missionários permaneceram em Malange até o fim de agosto de 1992, quando foram transferidos para a cidade de Kibala, na Província do Kwanza Sul, a convite do então bispo da Diocese de Sumbe, Dom Zacarias. Eles ocuparam as instalações dos Padres Espiritanos, que haviam deixado a área por conta da guerra.

O início da Missão em Kibala foi no dia 31 de agosto de 1992. Os trabalhos principais eram a assistência às Irmãs Clarissas, que na época moravam naquela cidade, e o acompanhamento das aldeias. As dificuldades eram muitas, principalmente por conta da guerra. Num momento de grande tensão, Frei José relata que os frades chegaram a ver a morte de perto: “O mais triste foi quando invadiram nossa casa e nos levaram presos para o Centro de Kibala. Praticamente íamos ser fuzilados. Entraram em nossa casa, perguntaram quem eu era e logo me deram um bofetão no rosto que quebrou meus óculos. Fui me defender com o cotovelo e levei outro tapa”, conta Frei José, segundo o qual, naquele dia, os frades só não foram mortos porque um dos chefes da Unita os reconheceu.

Esta ofensiva contra os frades ocorreu por dois motivos: o primeiro porque naquela ocasião Kibala estava sob o domínio da Unita e alguns helicópteros do governo pousaram no terreno da missão, o que levou os dominadores da cidade a imaginarem que os frades estivessem dando apoio às tropas rivais. E a outra motivação foi o fato de os frades abrigarem alguns meninos e jovens, pois, a partir dos 11 anos, eles eram pegos à força para trabalhar pelos combatentes.

Conseguir comida também era uma verdadeira aventura. O pouco que obtínhamos de alimentos era através de Frei Plínio Gande da Silva que, a partir da troca de peças de roupa, cartelas de remédio ou outros artigos que levava até a praça (espécie de mercado informal a céu aberto), conseguia algo para se comer.

Outra grande dificuldade era para se comunicar. Os frades em Kibala ficaram mais de um ano sem nenhuma comunicação com os demais confrades. A única maneira que tinham para se informar era um pequeno radinho improvisado que funcionava movido a energia gerada por uma roda de bicicleta. “Nós improvisamos um gerador com uma bicicleta que colocamos de cabeça para baixo. Enchemos o pneu com pedaços de pano velho e ali girávamos para ter energia para o radinho e assim conseguíamos ficar minimamente informados.

Frei José retornou de Kibala para o Brasil em 1995. Em 1998, depois de Frei Valdir Nunes Ribeiro sofrer um atentado, os frades se retiraram de lá, retornando àquela localidade em 2008, bem depois do fim da guerra. Perguntado sobre o que o levou a querer retornar à missão às vésperas de completar 80 anos, Frei José apontou dois motivos: o carinho que ele adquiriu pela missão na primeira vez em que lá esteve e também a curiosidade sobre como estaria o país depois do fim da guerra. Frei José dizia que se sentia feliz nesta nova etapa na missão, mas retornou devido ao câncer diagnosticado na cabeça, que o levou a uma cirurgia delicada.

DEPOIMENTO DE FREI GABRIEL DELLANDREA

Diz o filósofo Michel de Montaigne: “Se fosse um escritor, anotaria as mortes que mais me impressionaram e as comentaria, pois quem ensinasse os homens a morrer os ensinaria a viver” (Ensaio número XX). E eu percebo que esta ideia é um tanto ousada e verdadeira, quando a realidade da morte se apresenta para nós muito próxima, pela passagem de pessoas que amamos. Por isso, quero prestar minha homenagem ao confrade que hoje faleceu, colocando um pouquinho de como foi a minha convivência com ele. Creio que a vida dele me ensina a morrer, pois seu exemplo ensina a viver.

Existem pessoas que não precisam de muito tempo para conquistar o nosso coração. Um olhar, uma palavra, um gesto e a gente percebe que daquele ser humano emana algo de grandioso e maravilhoso. Um convívio pequeno com Frei José Zanchet, mesmo entre as atividades e os trabalhos com a juventude me faziam experimentar o que é ser jovem, mesmo com os cabelos brancos. Eu encontrava a juventude nas nossas fraternidades e paróquias, e em casa encontrava um jovem com “setenta e tantos anos”. Um homem teimoso pelo seu desejo de servir. Um homem enfraquecido pela doença mas forte no testemunho de vida franciscana.

Mesmo muito debilitado, insistia em trabalhar, confessar, acolher. As pernas para o alto no confessionário não eram um grande problema para ele. Um pedido de desculpas por estar assim por causa da doença e continuava a sua missão. Uma troca de olhares ali, um sorriso aqui. Às vezes eu puxava aquele canto “José feliz esposo…” para provocar o seu nome e ele continuava com voz imponente e forte, não se importando com as minhas bobagens. Eu pensava nos lugares que aquela voz ecoou no anúncio do evangelho e da vida franciscana nas suas intensas atividades como missionário. Eu sou o mais novo na fraternidade do Largo São Francisco, mas ele, sem dúvida, era um banho de juventude em mim.

O calor de sua simpatia, simplicidade e teimosia em servir me queima para ser frade menor. Frei José, com sua vida e com seu testemunho, e hoje, com sua passagem, está me ensinando mais uma vez a viver. Não foi preciso muito tempo de convivência para eu me encantar por esse cara. Mas tenho certeza que seu bom exemplo será um brilho em toda a minha vida. A sua caminhada franciscana comigo nesse tempinho desde o começo do ano, por si só, foi uma excelente animação vocacional. O testemunho de vida de uns, somado com a certeza da morte, faz outros viverem mais intensamente! 

Que Deus conforte os familiares dele e a nossa fraternidade.

R.I.P.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

sábado, 24 de junho de 2017

Natividade de São João Batista

Natividade de São João Batista

João, chamado de o “batizador”, é filho de Zacarias e de Isabel, ambos de estirpe sacerdotal. A Bíblia nos diz que Isabel era prima e muito amiga de Maria, e elas tinham o costume de visitarem-se. Uma dessas ocasiões foi quando já estava grávida: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo” (Lc 1,41). Ainda no ventre da mãe, João faz uma reverência e reconhece a presença do Cristo Jesus. Na despedida, as primas combinam que o nascimento de João seria sinalizado com uma fogueira, para que Maria pudesse ir ajudar a prima depois do parto.

Assim os evangelistas apresentam com todo rigor a figura de João como precursor do Messias, cujo dia do nascimento é também chamado de “Aurora da Salvação”. É o único santo, além de Nossa Senhora, em que se festeja o nascimento, porque a Igreja vê nele a preanunciação do Natal de Cristo.

Isabel era estéril e Zacarias era mudo, ambos já com idade bem avançada. Isabel haveria de dar à luz um menino, o qual deveria receber o nome de João, que significa “Deus é propício”. Assim foi avisado Zacarias pelo anjo Gabriel.

Conforme a indicação de Lucas, Isabel estava no sexto mês de gestação de João, que foi fixado pela Igreja três meses após a Anunciação de Maria e seis meses antes do Natal de Jesus. O sobrinho da Virgem Maria foi o último profeta e o primeiro apóstolo. “É mais que profeta, disse ainda Jesus. É dele que está escrito: eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti”. Ou seja, o primo João inicia sua missão alguns anos antes de Jesus iniciar a sua própria missão terrestre.

Lucas também fala a respeito da infância de João: o menino foi crescendo e fortificando-se em espírito e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel.
Com palavras firmes, pregava a conversão e a necessidade do batismo de penitência. Anunciava a vinda do messias prometido e esperado, enquanto de si mesmo deu este testemunho: “Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitarei o caminho do Senhor…” Aos que o confundiam com Jesus, afirmava com humildade: “Eu não sou o Cristo”. e “Não sou digno de desatar a correia de sua sandália”. Sua originalidade era o convite a receber a ablução com água no rio Jordão, prática chamada batismo. Por isso o seu apelido de Batista.

João Batista teve a grande missão de batizar o próprio Cristo. Ele apresentou oficialmente Cristo ao povo como Messias com estas palavras: “Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo… Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo”.

Jesus, falando de João Batista, tece-lhe o maior elogio registrado na Bíblia: “Jamais surgiu entre os nascidos de mulher alguém maior do que João Batista. Contudo o menor no Reino de Deus é maior do que ele”.

Ele morreu degolado no governo do rei Herodes Antipas, por defender a moralidade e os bons costumes. O seu martírio é celebrado em 29 de agosto, com outra veneração litúrgica.

São João Batista é um dos santos mais populares em todo o mundo cristão. A sua festa é muito alegre e até folclórica. Com muita música e danças, o ponto central é a fogueira, lembrando aquela primeira feita por seus pais para comunicar o seu nascimento: anel de ligação entre a antiga e a nova aliança.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/